Argentina: Vaca Muerta impulsiona exportações e atrai investimentos estrangeiros

Destaques
- •A formação de Vaca Muerta, na Argentina, se consolida como eixo da nova estratégia energética do país, impulsionada pelo aumento dos preços internacionais do petróleo.
- •O país registrou exportações de energia recordes, superando US$ 10 bilhões em um mês, e atraiu investimentos significativos para o desenvolvimento de Vaca Muerta.
- •O Brasil assinou acordo para importar gás natural da Argentina a partir de 2025, visando suprir demanda até 2030.
A formação de Vaca Muerta, na Argentina, se tornou o principal trunfo do presidente Javier Milei para consolidar seu programa de recuperação econômica. Considerada uma das maiores fontes de petróleo não convencional do mundo, a área está atraindo investimentos estrangeiros e impulsionando as exportações de energia do país.
Milei destacou o avanço durante a feira Argentina Oil & Gas Patagonia 2026, em Neuquén, onde anunciou que a Argentina se aproxima da produção de um milhão de barris por dia. "Hoje batemos o recorde de exportações em um único mês, ultrapassando os US$ 10 bilhões", afirmou o presidente na segunda-feira, 19 de outubro. Essa performance já impacta positivamente a balança comercial, com o país exportando mais energia do que importando pela primeira vez em 14 anos, o que é estratégico para estabilizar as contas públicas e fortalecer o peso argentino.
Vaca Muerta: Potencial e Investimentos
Vaca Muerta abriga a segunda maior reserva de shale gas e a quarta maior de petróleo de xisto do planeta. A formação mantém uma produção em torno de 1,3 milhão de barris equivalentes por dia, sendo o petróleo não convencional o vetor mais dinâmico, com investimentos de empresas como YPF, Chevron, Shell e ExxonMobil. O gás também tem papel relevante, respondendo por 45% a 50% da oferta nacional.
O governo anunciou a aprovação de um projeto de US$ 12,4 bilhões em Vaca Muerta, apresentado pela Pluspetrol, o maior investimento individual já registrado na área. Além disso, o projeto do oleoduto Vaca Muerta Oil Sur, de US$ 3 bilhões, permitirá exportações anuais de cerca de US$ 15 bilhões. Um acordo de US$ 7 bilhões com os Estados Unidos também foi mencionado para o desenvolvimento de infraestrutura.
Desafios e Perspectivas Globais
Apesar do potencial robusto, Vaca Muerta enfrenta desafios estruturais, como a curva de declínio acentuada dos poços, que exige perfuração contínua, e custos de completamento que variam entre US$ 8 milhões e US$ 12 milhões por poço. O petróleo local costuma ser vendido com desconto em relação ao Brent. A volatilidade internacional e a complexa equação fiscal argentina também pressionam as margens e a previsibilidade de projetos de longo prazo.
O cenário global de tensão energética, com a escalada dos preços do barril Brent acima de US$ 111, impulsionada por cortes de produção da Opep+ e ataques no Oriente Médio, torna o desenvolvimento de Vaca Muerta ainda mais estratégico. A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que os mercados podem levar mais de um ano para retornar à normalidade.
Acordo com o Brasil e Cenário Macroeconômico
Em novembro de 2025, os governos da Argentina e do Brasil assinaram um acordo para a importação de gás natural de Vaca Muerta. A expectativa é que o Brasil comece a importar até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia da Argentina até 2030, um gesto de convergência política entre as administrações de Milei e Luiz Inácio Lula da Silva.
Milei tem utilizado o avanço energético para reforçar sua narrativa de recuperação econômica, atribuindo a melhora às suas políticas fiscais de ajuste. A Argentina registra superávit primário de 1,2% do PIB e superávit financeiro, com a inflação acumulada em 12 meses caindo para 33,4%. No entanto, o país enfrenta recessão técnica, risco-país elevado (superior a 700 pontos) e fragilidade social, apesar da projeção de superávit comercial entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões.



