Argentina se inspira no Brasil e cria 'Exército do Peronismo' para eleições
Destaques
- •Estratégias digitais da campanha de Lula no Brasil inspiram a criação do 'Exército do Peronismo' na Argentina.
- •O deputado André Janones compartilhou táticas de mobilização digital com a ex-presidente Cristina Kirchner e o ex-ministro Sergio Massa.
- •A experiência brasileira busca fortalecer a oposição ao governo Milei e combater a influência da ultradireita na disputa digital.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras serviu de inspiração para a oposição argentina, que lançou o chamado “Exército do Peronismo”. A iniciativa busca replicar as estratégias de comunicação e mobilização digital que foram cruciais para a virada eleitoral no Brasil, adaptando-as ao contexto argentino.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), considerado o "general" do "Exército de Lula", esteve na Argentina para se reunir com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e o ex-ministro da Economia Sergio Massa. Durante os encontros, Janones compartilhou as táticas digitais utilizadas na campanha brasileira, afirmando que cerca de 30% da revolução digital aplicada no Brasil pode ser replicada em outros países, e entre 50% a 60% na Argentina, devido às semelhanças entre as nações.
Lições da campanha brasileira para a Argentina
O historiador argentino Leandro Morgenfeld, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), avalia que a vitória de Lula representa um estímulo para a reorganização das forças populares argentinas e um revés para a ultradireita internacional. Segundo ele, a principal lição da campanha de Lula reside na articulação entre as mobilizações de rua e a disputa nas plataformas digitais, um campo onde as ultradireitas ainda exercem maior influência.
Morgenfeld destacou que a derrota de Trump no Brasil demonstra a possibilidade de derrotar a ultradireita na América Latina. A vitória de Lula foi comemorada na Argentina como um golpe contra o governo de Javier Milei e uma esperança para a oposição, especialmente pela forma como a mobilização popular e a batalha digital foram usadas para impedir o avanço do que ele chama de "fascismo".
O "Exército do Peronismo" e a disputa digital
A criação do "Exército do Peronismo" visa construir uma experiência semelhante à brasileira, mas adaptada às características argentinas. A ideia é formar uma mobilização de massas que incorpore novas vozes, tenha uma comunicação mais eficaz e articule a luta nas ruas, a disputa político-institucional e a resistência.
Janones participou de um programa de televisão popular para explicar as estratégias digitais e defender sua reprodução na Argentina. O objetivo é articular as diversas mobilizações contra o governo de Milei com a luta digital, visando uma candidatura unitária para enfrentar o atual presidente ou seus aliados.
Impacto internacional e cenário argentino
Morgenfeld também comentou sobre as eleições em Israel e nos Estados Unidos, que indicam possíveis mudanças na correlação de forças internacionais. A derrota de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA é vista como um golpe duro para governos de ultradireita na região, incluindo o de Milei, que enfrenta uma situação econômica e social comprometida.
A influência dos Estados Unidos nas eleições argentinas do próximo ano também pode ser reduzida com a derrota de Trump. O peronismo argentino atravessa um processo de fortes disputas internas, e a necessidade de unidade para derrotar Milei é vista como crucial. A vitória de Lula no Brasil impulsiona a busca por essa unidade, ancorada em um programa que atenda às necessidades das classes populares e amplie direitos, como a proibição de apostas online, que causa endividamento na Argentina.
Matérias originais
- ‘Mobilização brasileira nas eleições deve ser replicada na Argentina’, afirma historiador · operamundi.uol.com.br


