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Aqueduto romano em Nîmes registrou declínio do abastecimento de água

23 de outubro de 2026

Destaques

  • •Sedimentos em aqueduto romano de Nîmes revelam detalhes sobre o abastecimento de água na Antiguidade.
  • •O fornecimento para a cidade cessou por volta de 270 d.C., mas a irrigação rural continuou por mais 140 anos.
  • •Estudo publicado na Geoarchaeology analisou o calcário acumulado para reconstruir a história hídrica.

O acúmulo de calcário nas paredes de um aqueduto milenar em Nîmes, na França, serviu como um registro acidental da história do consumo de água na Roma Antiga. Uma análise detalhada dessas camadas de sedimento revelou que o fornecimento de água para a cidade de Nemausus foi interrompido por volta de 270 d.C., coincidindo com um período de crise econômica e a Peste de Cipriano. No entanto, a infraestrutura hídrica continuou a operar para fins de irrigação no campo por mais 140 anos.

Declínio e mudança no uso da água

O aqueduto de Nîmes, famoso pela ponte Pont du Gard, foi construído por volta do ano 50 d.C. para transportar água por mais de 50 km até a cidade. A pesquisa, publicada na revista Geoarchaeology, utilizou uma abordagem multiproxi, combinando isótopos estáveis de carbono, oxigênio e estrôncio, além de elementos traço, para investigar as estratégias antigas de gestão da água e as condições ambientais.

Os dados indicam que, após cerca de 11 anos de operação, uma nova fonte de água foi adicionada ao sistema, possivelmente em resposta a um período de seca. Cerca de 100 anos após sua construção, a entrega de água para a cidade começou a diminuir, o que os pesquisadores atribuem à captação de água para irrigação nas áreas rurais.

Impacto da Peste de Cipriano e crise econômica

O fornecimento de água para a cidade de Nîmes cessou completamente por volta de 270 d.C. Este período coincide com uma crise econômica em todo o império romano e com a Peste de Cipriano, uma pandemia que afetou severamente a população e levou ao esvaziamento de áreas urbanas. A pesquisa sugere que esses fatores sociais e econômicos foram determinantes para o fim do abastecimento urbano.

Apesar do fim do fornecimento para a cidade, a parte superior do aqueduto, incluindo a icônica Pont du Gard, permaneceu operacional por pelo menos mais 140 anos, sendo utilizada predominantemente para irrigação. Isso demonstra a resiliência e a adaptação da infraestrutura romana às mudanças nas necessidades e nas condições ambientais e sociais.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Geoarchaeology, intitulado "The Usage History of the Aqueduct of Nîmes Reconstructed From Carbonate Archives: Operation, Modifications and Late Antique Breakdown and Change", analisou depósitos de carbonato antropogênico no aqueduto romano de Nîmes, na França. Os pesquisadores utilizaram isótopos estáveis (C, O, Sr) e elementos traço para reconstruir a história da gestão da água e as condições ambientais. O estudo revelou que o abastecimento da cidade foi interrompido por volta de 270 d.C., coincidindo com a Peste de Cipriano e uma crise econômica, mas a irrigação rural continuou por mais 140 anos.

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