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Apple perde poder de barganha para fornecedores de memória flash com alta da IA

03 de novembro de 2026
Apple perde poder de barganha para fornecedores de memória flash com alta da IA

Destaques

  • •Demanda por chips de IA multiplica por cinco o preço da memória flash, invertendo a relação de poder entre Apple e seus fornecedores.
  • •Fabricantes como Kioxia, antes pressionadas pela Apple, agora cobram preços mais altos e fecham contratos de longo prazo com gigantes da tecnologia.
  • •A Apple, que lucrava alto com a venda de armazenamento extra em seus dispositivos, enfrenta aumento de custos e repasse para o consumidor.

A Apple, historicamente conhecida por sua agressiva estratégia de negociação com fornecedores, está vendo seu poder de barganha diminuir significativamente no mercado de memória flash. A demanda crescente por chips para inteligência artificial (IA) multiplicou por cinco os preços da memória flash no último ano, segundo a consultoria TechInsights, invertendo a dinâmica que favorecia a gigante de Cupertino por décadas.

Executivos de vendas de empresas como a japonesa Kioxia (antiga Toshiba) expressaram satisfação com a mudança de cenário. Eles agora conseguem cobrar preços mais altos da Apple, que antes pressionava os fornecedores a abrir seus livros contábeis e aceitar margens mínimas. Gigantes como Microsoft, Amazon e Google, que antes compravam menos memória flash que a Apple somados, agora adquirem o dobro da fatia da empresa, impulsionados pela necessidade de infraestrutura para IA. Esses grandes grupos de tecnologia conseguem pagar mais, pois o custo do armazenamento representa uma parcela menor de seus data centers em comparação com um iPhone.

O poder de negociação da Apple e a virada do mercado

Por anos, a Apple utilizou táticas de negociação implacáveis, lideradas por figuras como Tony Blevins, conhecido como "Blevinator". A empresa exigia preços baixos, auditava os livros contábeis dos fornecedores para garantir condições exclusivas e, por vezes, recusava o recebimento de produtos quando os preços de mercado caíam, deixando os fornecedores com estoques. Essa estratégia, embora benéfica para os acionistas da Apple, gerava frustração entre os fabricantes, que se sentiam "passados para trás".

A memória flash, essencial para dispositivos como o iPod e o iPhone, viu seu preço por gigabyte cair drasticamente de US$ 68 em 2005 para cinco centavos em 2023. No entanto, a explosão da demanda por IA reverteu essa tendência. A Apple, que esperava gastar US$ 6 bilhões em memória flash em 2025, agora deverá desembolsar US$ 25 bilhões, segundo estimativas da TechInsights.

Impacto nos lucros e no consumidor

A alta no custo da memória flash ameaça as elevadas margens de lucro da Apple na venda de capacidade de armazenamento adicional em seus dispositivos. No passado, a empresa registrava um lucro bruto médio superior a 80 centavos para cada dólar cobrado por armazenamento extra em iPhones e iPads. Por exemplo, um upgrade de 256 gigabytes no iPhone 17 Pro custava US$ 200 para o consumidor, enquanto a Apple pagava cerca de US$ 15 pelo componente. Esse custo subiu para US$ 66.

A Apple já aumentou os preços de quase todos os seus produtos nos últimos meses, com os iPhones ficando em média 13% mais caros. A questão agora é como os consumidores reagirão a esses preços mais altos, se prolongarão o tempo de uso de seus aparelhos ou manterão o ritmo de compra. Para os fabricantes de memória flash, a dúvida é se e quando a Apple recuperará seu poder de negociação.

"A Apple historicamente negociou de forma muito dura com os fornecedores de memória", disse Walt Coon, analista da TechInsights. "E não falta satisfação entre os fornecedores agora que o equilíbrio de poder está mudando."

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