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Apple enfrenta alta de 500% em memórias flash devido à demanda por IA

29 de outubro de 2026
Apple enfrenta alta de 500% em memórias flash devido à demanda por IA

Destaques

  • •Preços de memórias flash quintuplicaram em um ano, impactando custos da Apple.
  • •Gigantes de tecnologia como Meta, Microsoft e Amazon agora compram mais memória flash que a Apple.
  • •Apple gastará US$ 25 bilhões em memórias flash em 2026, ante US$ 6 bilhões em 2025.

A Apple, que por anos ditou os preços de memórias flash no mercado, agora enfrenta um cenário de custos elevados e menor poder de negociação. A disparada nos preços desses componentes, impulsionada pela crescente demanda de empresas de inteligência artificial (IA), levou a um reajuste médio de 13% na linha de iPhones. Segundo a consultoria TechInsights, os preços das memórias flash quintuplicaram no último ano, fortalecendo a posição comercial de fabricantes como a Kioxia.

A memória flash é um chip essencial para o armazenamento de dados em dispositivos como smartphones e computadores. Durante anos, a Apple foi a maior compradora mundial desses componentes, utilizando seu volume para negociar descontos e obter condições contratuais favoráveis. Estimativas da TechInsights indicam que, há dois anos, a empresa comprava quase o dobro da quantidade adquirida conjuntamente por Microsoft, Amazon, Meta e Google. Atualmente, essas quatro gigantes da tecnologia compram, juntas, o dobro da participação da Apple no mercado.

Demanda por IA reconfigura o mercado

A mudança de cenário é evidente nos contratos de longo prazo assinados em 2026 pela Meta, Microsoft e Amazon com a Kioxia. Essas empresas aceitaram pagar preços mais altos pelos componentes, garantindo o fornecimento e protegendo os lucros da fabricante. A memória flash representa uma parcela menor do custo total de um data center em comparação com a fabricação de um iPhone. Além disso, as regras contábeis permitem que empresas de IA distribuam esses custos ao longo de vários anos, o que facilita a absorção de preços mais elevados.

A TechInsights projeta que a Apple gastará cerca de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 131,25 bilhões) com memórias flash em 2026, um salto expressivo em relação aos US$ 6 bilhões (R$ 31,5 bilhões) previstos para 2025, mesmo adquirindo aproximadamente a mesma quantidade de componentes. Essa alta nos custos surpreendeu a Apple, apesar de alertas anteriores de analistas, segundo relatos de pessoas familiarizadas com as práticas de compras da empresa ao The Wall Street Journal.

Custos maiores pressionam as margens da Apple

Em 2023, o preço da memória flash girava em torno de cinco centavos de dólar por gigabyte. Com a demanda aquecida pelo setor de IA, esse valor ultrapassou os 30 centavos, representando uma alta superior a 500%. Esse encarecimento impacta diretamente a rentabilidade das versões de iPhone com maior capacidade de armazenamento. Por exemplo, o custo da memória extra para a Apple em um iPhone 17 Pro com 512 GB subiu de US$ 15 para US$ 66, em comparação com o modelo de 256 GB.

A análise do The Wall Street Journal aponta que a Apple obteve, em média, mais de US$ 0,80 de lucro bruto por dólar cobrado pelo armazenamento adicional em iPhones e iPads desde o lançamento desses produtos até 2025. A pressão sobre os custos coincide com aumentos nos preços dos produtos. Nos últimos meses, a Apple reajustou quase toda a sua linha, com uma alta média de 13% nos iPhones, incluindo modelos mais antigos que, tradicionalmente, teriam seus preços reduzidos com a chegada de novas versões.

Walt Coon, analista da TechInsights, resumiu a inversão de poder: “A Apple historicamente negociou de forma muito dura com os fornecedores de memória. E não falta satisfação entre os fornecedores agora que o equilíbrio de poder está mudando”. Em 2023, a Bernstein Research estimou que a Apple obteve US$ 14 bilhões em lucro bruto com a venda de armazenamento adicional.

Histórico de negociações e o futuro

A relação entre a Apple e seus fornecedores de memória flash remonta a 2001, com o lançamento do iPod. Em 2005, a empresa antecipou US$ 1,25 bilhão para garantir o fornecimento de memória flash para o iPod Nano. O lançamento do iPhone em 2007 ampliou ainda mais o poder de compra da Apple, consolidando uma estratégia de negociação agressiva. Agora, a expansão da infraestrutura de IA reverteu essa dinâmica, forçando a empresa a aceitar custos mais altos para garantir o fornecimento de componentes essenciais.

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