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Anvisa aprova primeiro comprimido de semaglutida para obesidade no Brasil

04 de novembro de 2026
Anvisa aprova primeiro comprimido de semaglutida para obesidade no Brasil

Destaques

  • •Anvisa aprova o Wegovy pill 25 mg, primeiro agonista do GLP-1 em comprimido para tratamento da obesidade no Brasil.
  • •O novo medicamento, da Novo Nordisk, demonstra potencial de redução de até 17% do peso corporal, similar à versão injetável.
  • •A aprovação visa atender pacientes com restrições a tratamentos injetáveis e amplia a oferta de "canetas emagrecedoras" em pílulas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira, 4, o uso no Brasil do Wegovy pill 25 mg, um novo comprimido de semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy. O medicamento é o primeiro agonista do GLP-1 em comprimido aprovado no país para o tratamento da obesidade, seguindo a tendência de ofertar versões orais de remédios que ficaram conhecidos como "canetas emagrecedoras".

A aprovação atende a uma demanda crescente por alternativas aos tratamentos injetáveis. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk solicitou a aprovação em janeiro deste ano, mesmo mês em que a pílula começou a ser comercializada nos Estados Unidos, onde já gerou mais de cinco milhões de prescrições. O medicamento já é vendido em outros mercados como Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha, com previsão de lançamento no México em breve.

Potencial de perda de peso e estudos

Em estudos clínicos, o Wegovy pill demonstrou um potencial de redução de 17% do peso corporal, um índice comparável ao da versão injetável do Wegovy. A semaglutida pertence à classe dos agonistas do GLP-1, que atuam regulando o apetite e a absorção de glicose.

Um estudo apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, comparou a troca da versão injetável de semaglutida ou tirzepatida (Mounjaro) pela semaglutida em comprimido (25 mg). Após três meses, houve uma perda média de quatro quilos, e a porcentagem de participantes com diagnóstico de obesidade caiu de 87,1% para 65,5%.

Vantagens da apresentação em comprimido

A popularização dos agonistas do GLP-1 ocorreu principalmente através de canetas injetáveis. No entanto, o desenvolvimento de apresentações em comprimido visa alcançar pacientes que preferem não usar injeções semanais ou que enfrentam dificuldades com a conservação e o transporte das canetas. A disponibilidade em pílula pode facilitar a adesão ao tratamento a longo prazo.

"A nossa escolha de trazer as pílulas para o tratamento é uma tentativa de tornar isso mais fácil, em alguns casos, para as pessoas", afirmou Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk. "Se você tiver que tomar uma pílula, talvez seja menos difícil ter que tomá-la pelo resto da vida", comparou, em referência a tratamentos crônicos como o de colesterol.

Próximos passos e concorrência

A farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também já submeteu à Anvisa o seu medicamento em comprimido para obesidade, o orforglipron (Foundayo nos EUA), que tem potencial de redução de 12,4% do peso. A expectativa é que a Anvisa avalie e aprove este medicamento em breve, aumentando a concorrência no mercado de tratamentos orais para obesidade.

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