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Descongelamento do permafrost pode acelerar aquecimento global, alertam cientistas

04 de novembro de 2026

Destaques

  • •O permafrost, solo congelado no Hemisfério Norte, está descongelando e liberando gases de efeito estufa.
  • •Modelos climáticos da ONU subestimam o impacto do descongelamento, especialmente após incêndios florestais.
  • •Cientistas buscam entender o complexo ciclo do carbono e os efeitos do degelo para prever o aquecimento futuro.

O permafrost, camada de solo congelado que cobre cerca de 15% das terras do Hemisfério Norte, representa um ponto cego nas projeções sobre as mudanças climáticas. Essa camada, que permaneceu congelada por milhares de anos, está descongelando devido ao aumento das temperaturas globais. À medida que o solo descongela, micróbios decompõem a matéria orgânica aprisionada, liberando dióxido de carbono e metano, gases de efeito estufa potentes que aceleram o aquecimento do planeta. Esse processo cria um ciclo de retroalimentação, intensificando ainda mais as mudanças climáticas.

O aumento das temperaturas globais já causou uma redução de aproximadamente 12% na área do permafrost do Ártico desde 1850, com uma aceleração notável nos últimos 50 anos. Surpreendentemente, uma minoria dos modelos climáticos utilizados nos relatórios da ONU considera a perda gradual do permafrost, e nenhum deles inclui o descongelamento abrupto e o colapso que podem ocorrer após eventos extremos como ondas de calor e incêndios florestais. Esforços estão em andamento para incorporar o conhecimento científico mais recente nos relatórios futuros, mas, por enquanto, isso sugere que o ritmo e a magnitude do aquecimento global podem estar sendo subestimados.

Incêndios florestais intensificam o degelo do permafrost

Os incêndios florestais, que se tornam mais intensos devido às mudanças climáticas, podem acelerar significativamente o descongelamento do permafrost. Estima-se que, até o final do século, esse efeito possa liberar o equivalente a 80 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono. Atualmente, a política em regiões remotas do Canadá e do Alasca é, em geral, permitir que os incêndios sigam seu curso, a menos que ameacem áreas habitadas. No entanto, alguns pesquisadores defendem o combate ativo a esses incêndios para preservar o carbono armazenado nas florestas e no permafrost subjacente.

Pesquisadores do Woodwell Climate Research Center estão desenvolvendo um mapa de risco de incêndios e vulnerabilidade do carbono na região ártica. O objetivo é identificar áreas onde o fogo tem maior probabilidade de se espalhar e que abrigam tipos de permafrost mais propensos a liberar emissões significativas, como o Yedoma, uma forma rica em carbono originária do final do Pleistoceno. Após a identificação desses alvos, discute-se a implementação de estratégias como queimadas prescritas, uma prática ancestral de povos indígenas, ou o investimento em detecção precoce e combate a incêndios em estágio inicial.

A complexidade do ciclo de carbono do permafrost

O permafrost armazena aproximadamente 1,5 trilhão de toneladas de carbono, o dobro da quantidade presente na atmosfera. Embora o descongelamento libere gases de efeito estufa, o ciclo do carbono é complexo e outros efeitos podem compensar parte dessas emissões. Por exemplo, com o aumento das temperaturas, a vegetação pode avançar para o norte, absorvendo carbono da atmosfera à medida que cresce.

A quantidade de carbono perdida e recuperada depende de múltiplos fatores, incluindo a intensidade dos incêndios, as condições climáticas e ambientais locais, e o tipo de permafrost. Quanto mais elevamos a temperatura do planeta, mais interferimos em fenômenos naturais complexos que os cientistas estão apenas começando a compreender. A pesquisa contínua é crucial para refinar as projeções climáticas e desenvolver estratégias de mitigação eficazes diante da crescente ameaça do descongelamento do permafrost.

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