Antecipação de recebíveis cresce 10% no Brasil em meio a crédito restrito

Destaques
- •Volume antecipado via notas fiscais atingiu R$ 12 bilhões no primeiro semestre, alta de 10% sobre 2025.
- •Empresas buscam capital para investimentos e não apenas para fluxo de caixa, com tíquete médio subindo para R$ 38,6 mil.
- •Cenário de juros altos e crédito bancário restrito impulsiona a modalidade como alternativa de liquidez.
A antecipação de recebíveis por meio de notas fiscais no Brasil registrou um crescimento de 10% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, totalizando R$ 12 bilhões. O levantamento é da fintech Finnet e indica uma busca crescente das empresas por financiamento em um cenário de crédito bancário restrito e juros elevados.
A modalidade tem ganhado força com a implementação da duplicata escritural, a versão eletrônica de títulos de crédito para vendas a prazo. O aumento do volume financeiro antecipado tem sido mais rápido do que o número de notas, o que sugere que as empresas estão priorizando operações de maior valor. O tíquete médio das antecipações subiu de R$ 33,3 mil em 2024 para R$ 38,6 mil em 2025.
Empresas usam recebíveis para investir
O head de crédito da Finnet, Luiz Henrique Cineli, explica que o alto custo do crédito e as exigências de garantias bancárias têm levado as empresas a utilizarem programas de risco sacado para se capitalizar. Essa antecipação não serve apenas para ajuste de fluxo de caixa, mas também para investimentos na própria operação.
Tradicionalmente, a antecipação de recebíveis era usada para capital de giro de curto prazo. No entanto, o período prolongado de juros elevados encareceu o crédito bancário e tornou as instituições mais rigorosas na concessão. Assim, a antecipação de recebíveis surge como uma alternativa de liquidez mais acessível.
Risco sacado foca na empresa âncora
Nos programas de risco sacado, a análise de crédito é focada na capacidade de pagamento da empresa compradora, geralmente um grande varejista. A posição do fornecedor é secundária, pois o crédito é direcionado a quem antecipa o recebível. "A análise do risco não é DO fornecedor, e sim da empresa-âncora, que normalmente têm um melhor rating", afirma Cineli.
O cenário político, com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sinaliza a ausência de um ajuste fiscal significativo, pode impactar a curva de juros futuros e retardar cortes na Selic. Isso tende a comprimir o crédito bancário. Contudo, Cineli avalia que períodos de crédito mais restrito historicamente aumentam a procura por soluções lastreadas em recebíveis, por serem de curto prazo e vinculadas a transações comerciais já realizadas.
Outra modalidade popular é a antecipação de recebíveis de cartões de crédito, usada para compromissos de menor volume e capital de giro. A antecipação por nota fiscal, por outro lado, envolve volumes maiores e se mostra cada vez mais estratégica para o financiamento de investimentos empresariais.



