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Amazônia se tornou fonte de CO2 devido a queimadas e desmatamento, aponta estudo

31 de outubro de 2026
Amazônia se tornou fonte de CO2 devido a queimadas e desmatamento, aponta estudo

Destaques

  • •Pesquisa do Inpe revela que a Amazônia emite mais CO2 do que absorve, principalmente por queimadas.
  • •Emissões anuais chegam a 1,47 bilhão de toneladas de CO2, superando a capacidade de absorção da floresta.
  • •Redução drástica de queimadas e desmatamento zero são essenciais para evitar ponto de não retorno da floresta.

A Amazônia emitiu, em média, 1,1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a mais do que absorveu anualmente entre 2010 e 2024, revertendo seu papel histórico de sumidouro de carbono. As queimadas foram o principal fator, liberando cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO2 por ano, um volume muito superior à capacidade de absorção da mata, estimada em 300 milhões de toneladas anuais.

A pesquisa, publicada em 21 de outubro de 2026 na revista Nature e liderada por cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), analisou 15 anos de medições atmosféricas de carbono. O estudo aponta as atividades humanas como responsáveis pelo desequilíbrio e alerta que a redução drástica das queimadas, aliada ao desmatamento zero e à restauração florestal, é crucial para evitar um ponto de não retorno da floresta.

Emissões e o peso das atividades humanas

Os focos de incêndio na Amazônia em 2026 já se aproximam do total registrado em 2025, com mais de 41.300 registros em menos de dez meses. A fumaça densa afetou municípios como Manaus, levando à suspensão de aulas e sobrecarga do sistema de saúde. A cientista do clima Luciana Vanni Gatti, coordenadora do LaGEE do Inpe e principal autora do artigo, enfatiza que o problema é a ação humana e que o modelo de desenvolvimento da região tem sido baseado na destruição.

A pesquisa comparou períodos com diferentes condições climáticas e de intervenção humana. Em anos com altos índices de desmatamento e queimadas, a Amazônia mudou de estocadora para fonte de CO2. Nos grupos de anos analisados, as emissões foram quase quatro vezes maiores do que em anos chuvosos e com baixa atividade antrópica, alcançando um balanço médio de cerca de 1,58 bilhão de toneladas de CO2 por ano.

Alterações climáticas e o ciclo vicioso

O estudo também evidencia mudanças nas condições climáticas da região ao longo das décadas. Dados dos últimos 46 anos indicam que o desmatamento e a degradação reduziram a precipitação anual em 8% e, no pico da estação seca, em 20%. No mesmo período, a temperatura média anual aumentou 1,13 °C, e na estação seca, a elevação foi de 1,81 °C.

Essas alterações comprometem as condições para a manutenção da floresta úmida e contribuem para um ciclo de retroalimentação: a perda de vegetação reduz as chuvas e eleva as temperaturas, favorecendo novas queimadas e ampliando a degradação. "É um estresse muito grande sobre a floresta que fica", afirma Gatti.

Metodologia e próximos passos

Para chegar a essas conclusões, o grupo utilizou dados coletados entre 2010 e 2024 por meio de voos e quantificação de CO2 e monóxido de carbono no Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Inpe. A análise combinou medições de carbono com dados de desmatamento, queimadas, precipitação, temperatura e indicadores de temperatura da superfície do mar.

A pesquisadora Camilla Lima Cunha destaca a importância do financiamento contínuo para pesquisas de longo prazo que entendam os mecanismos que impactam as florestas tropicais. O grupo está trabalhando em uma nova fase, desde 2022, com análise de dados relativos ao sulfeto de carbonila (COS), considerado um traçador atmosférico da fotossíntese, para medir de forma mais precisa a atividade das árvores.

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