Alphabet: Venda de chips de IA impulsiona receita, mas pressiona caixa

Destaques
- •Alphabet fatura bilhões com chips de IA próprios, mas altos investimentos em data centers e estoque de hardware pressionam o fluxo de caixa.
- •Receita total da Alphabet cresceu 25% no trimestre, impulsionada pelo Google Cloud, mas lucro por ação ficou abaixo do esperado.
- •Investidores monitoram a capacidade da empresa de transformar o ciclo de investimentos em IA em geração de caixa futura.
A Alphabet, controladora do Google, está gerando bilhões de dólares com a venda de seus chips de inteligência artificial (IA), conhecidos como Unidades de Processamento Tensorial (TPUs). Anteriormente restritos ao uso interno, esses chips agora são comercializados para atender à crescente demanda do mercado, contribuindo para um aumento de 25% na receita total da empresa no terceiro trimestre, que atingiu US$ 127,6 bilhões. No entanto, essa nova linha de negócios exige investimentos antecipados em hardware e data centers, o que está esgotando o caixa da gigante de tecnologia e gerando preocupações entre os investidores.
Custo da corrida pela IA
Diferentemente de seus negócios tradicionais de busca e nuvem, a venda de chips de IA, que competem com os da Nvidia, exige que a Alphabet invista em hardware muito antes que os clientes efetuem o pagamento. Essa dinâmica pressiona o fluxo de caixa, como explicou o diretor financeiro Anat Ashkenazi. Ele detalhou que os sistemas TPU, que ainda não tiveram vendas líquidas, agora aparecem nos saldos de estoque, resultando em saída de caixa. Esse ciclo de investimento é distinto do tradicional investimento em ativos fixos.
A empresa reportou um fluxo de caixa livre (FCF) negativo de US$ 9,1 bilhões no trimestre, e o fluxo de caixa operacional ficou cerca de US$ 10 bilhões abaixo das estimativas. O capex (despesas de capital) da Alphabet saltou 114% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 51,4 bilhões, consumindo grande parte do caixa gerado. Para mitigar essa pressão, a empresa recorreu ao mercado de capitais, emitindo ações e títulos de dívida, o que elevou o saldo de passivos de longo prazo para US$ 125,1 bilhões.
Google Cloud e chips de IA impulsionam crescimento
Apesar dos desafios no fluxo de caixa, os processadores de IA estão impulsionando o crescimento da empresa. O Google Cloud, segmento de computação em nuvem, apresentou um crescimento de 103% em relação ao ano anterior, com lucro operacional de US$ 11,1 bilhões, superando as expectativas. Esse avanço foi liderado pela Google Cloud Platform (GCP) e pelas vendas dos sistemas de chips de IA desenvolvidos internamente. O segmento Google Services gerou US$ 96,3 bilhões em receita, um aumento de 11%, com o Google Search faturando US$ 63,4 bilhões.
A Alphabet não divulga separadamente a receita ou as margens dos seus chips TPU, mas afirmou que as vendas deram uma contribuição “significativa”. O chefe do Google Cloud, Thomas Kurian, informou que as vendas de sistemas TPU, que combinam os chips com rede, armazenamento e software, devem crescer ainda mais no trimestre atual e aumentar significativamente em 2027. A empresa já anunciou o fornecimento de TPUs no valor de dezenas de bilhões de dólares para a Anthropic e estaria em negociações semelhantes com a OpenAI.
Perspectivas para o futuro
Analistas como os da XP e Empiricus veem a Alphabet como uma das principais vencedoras na corrida global pela IA. A XP acredita que a companhia está bem posicionada para capturar a demanda por infraestrutura de IA, mas ressalta a importância de monitorar a capacidade da empresa de transformar o atual ciclo de investimentos em geração de caixa. A Empiricus destaca os fundamentos operacionais fortes, com crescimento acelerado do Cloud e resiliência do Search, apesar do impacto financeiro de curto prazo do maior ciclo de investimentos da história da empresa.
As ações da Alphabet caíram mais de 13% após a divulgação dos resultados, refletindo as preocupações com a queima de caixa e o aumento dos gastos com infraestrutura de IA. A empresa reiterou que os gastos com IA aumentarão acentuadamente no próximo ano. O diretor financeiro Anat Ashkenazi classificou as pressões no fluxo de caixa como “oscilações de curto prazo”.



