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Alimentação escolar: carnes e ovos geraram 58,1 milhões de toneladas de CO₂

06 de novembro de 2026
Alimentação escolar: carnes e ovos geraram 58,1 milhões de toneladas de CO₂

Destaques

  • •Estudo aponta que aquisições de carnes e ovos para o PNAE entre 2013 e 2022 equivalem às emissões de CO₂ da Hungria em um ano.
  • •Substituir parte da carne bovina por outras proteínas ou eliminar a de origem ligada ao desmatamento poderia reduzir significativamente as emissões.
  • •Pesquisadores destacam a importância de considerar a origem e produção dos alimentos na alimentação escolar para mitigar mudanças climáticas.

A aquisição de carnes e ovos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) entre 2013 e 2022 está associada à emissão de 58,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Esse volume é comparável às emissões totais da Hungria em 2025, segundo estudo de pesquisadores da Universidade Federal do ABC e da Universidade de São Paulo, publicado na revista Public Health Nutrition.

O estudo analisou quase 10,5 milhões de notas fiscais de compras públicas realizadas pelo governo federal no período. Ao longo da década, foram adquiridas 815 mil toneladas de carnes e ovos. Apesar de representar 35,3% do volume comprado, a carne bovina foi responsável por 77,8% das emissões estimadas, totalizando 45,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Redução de emissões com substituição de alimentos

A substituição de 20% da carne bovina por outras fontes de proteína animal, como aves, suínos e peixes, poderia reduzir as emissões em 16%. Ao substituir metade da carne bovina, a redução seria de 41%. Outra estratégia apontada é a eliminação da compra de carnes cuja produção esteja associada ao desmatamento, o que poderia diminuir as emissões em cerca de 31%.

A combinação das duas abordagens — substituição parcial da carne bovina e eliminação daquela ligada ao desmatamento — poderia levar a uma redução de aproximadamente 56% das emissões associadas ao PNAE.

Magnitude do impacto e recomendações

A autora Jaqueline Pereira destacou a surpresa com a magnitude do impacto, comparando o acumulado de dez anos com as emissões anuais de um país como a Hungria. Ela ressaltou que a carne bovina sozinha emitiu mais do que o Uruguai em 2025.

“Uma mensagem central é que a sustentabilidade envolve tanto o alimento escolhido quanto sua origem e forma de produção”, afirmou Pereira. Ela conclui que nutricionistas, gestores, fornecedores e produtores devem participar da construção de soluções para incorporar a dimensão ambiental ao compromisso com a alimentação adequada, sem comprometer a qualidade nutricional, os custos e a realidade de cada escola.

O estudo reforça que a alimentação escolar pode contribuir para a proteção do planeta, ao mesmo tempo em que cuida das novas gerações.

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