Agronegócio brasileiro: Inovação, investimentos e desafios em 2026

Destaques
- •Agtechs brasileiras captaram R$ 94,7 milhões no primeiro semestre de 2026, com foco em eficiência e produtividade.
- •A biotecnologia alcança quase 100% das áreas certificadas de soja e algodão, mas o mercado de sementes não certificadas cresce.
- •Novas tecnologias e acordos comerciais impulsionam o setor, enquanto a reforma tributária gera preocupações no laticínio.
O agronegócio brasileiro demonstrou resiliência e inovação em 2026, com destaque para a captação de R$ 94,7 milhões por agtechs no primeiro semestre, segundo levantamento do Itaú BBA. Apesar da queda no número de transações de 17 para oito, o capital se manteve disponível para startups que comprovam retorno financeiro e ganhos de produtividade, especialmente nas áreas de crédito, gestão financeira, mitigação de riscos, gestão rural, telemetria e automação.
Matheus Borella, do Itaú BBA, ressalta que o mercado está mais seletivo, priorizando tecnologias que entregam resultados mensuráveis e aumentam a produtividade e competitividade do setor. A eficiência operacional, automação e análise de dados são atributos valorizados.
Avanços em Biotecnologia e Proteção de Cultivos
A biotecnologia atingiu praticamente 100% das lavouras de soja e algodão com sementes certificadas no ciclo 2025/2026, segundo a CropLife Brasil. A resistência a pragas e a tolerância a herbicidas lideram a adoção, cobrindo 38 milhões de hectares na soja e 1,1 milhão no algodão. No entanto, o plantio de sementes não certificadas (próprias ou ilegais) avançou 210% entre 2021/2022 e 2025/2026, representando 20% da área de soja e 2,4% da de algodão, o que pressiona a propriedade intelectual.
A Krilltech obteve R$ 22,5 milhões da Finep para construir uma planta piloto de nanodefensivos (nanoherbicidas, nanofungicidas e nanoinseticidas) no Centro-Oeste. O projeto visa transformar tecnologias de laboratório em escala industrial, reduzindo impactos ambientais e ampliando a oferta de insumos nacionais. O setor de proteção de cultivos movimentou R$ 98,7 bilhões na safra 2024/2025.
Inovações e Novos Mercados
A plataforma Jornada Amazônia abriu inscrições para o programa Sinergia, com aporte de R$ 7 milhões, para acelerar 50 startups da Amazônia Legal e quatro da Pan-Amazônia. Financiada por BID Lab, Fundo Vale, Santander e Bradesco, a iniciativa focará em alimentos, biotecnologia e novos materiais a partir de 2027.
O Instituto Mauá de Tecnologia validou o uso de etanol hidratado em motores a diesel, com testes em bancada dinamométrica indicando viabilidade técnica para veículos pesados e máquinas agrícolas. O projeto prevê testes em condições reais de operação a partir de 2027.
O acordo comercial entre Mercosul e EFTA entrou em vigor, zerando tarifas para produtos agropecuários brasileiros na Noruega a partir de 1º de novembro. Produtos como carne bovina, aves, milho e farinha de soja serão beneficiados.
Desafios e Adaptações
A indústria de laticínios expressa preocupação com os impactos da reforma tributária no capital de giro a partir de 2027, quando a CBS substituirá PIS e Cofins. Apesar da alíquota zero para alguns produtos na cesta básica, o setor projeta acúmulo de créditos fiscais e a necessidade de revisão de contratos e classificação fiscal.
O volume importado de fertilizantes por hectare cultivado no Brasil atingiu o menor patamar desde 2018, com recuos de 22,5% para nitrogênio e 10,5% para fósforo entre janeiro e setembro de 2026. A redução nas compras externas impulsiona a busca por eficiência na absorção biológica e o uso de tecnologias de fertilização foliar e líquida.
A Ourofino Agrociência reformulou sua liderança, com Hélio Romano Junior como novo diretor Comercial, buscando integrar decisões de vendas, desenvolvimento e produção para atender à demanda por defensivos adaptados à agricultura tropical. A Vitalforce incorporou o sensoriamento remoto por satélite ao suporte técnico, em parceria com a UFU, para monitorar lavouras e orientar a aplicação de insumos biológicos.
A COBEA incorporou a Vencomatic e a Agroceres PIC à sua rede de parceiros, ampliando a cooperação técnica em avicultura de postura (sistemas cage-free) e suinocultura. A ADM abriu 624 vagas temporárias para a safra de grãos de 2027 em sete estados, com foco em operadores de produção e auxiliares administrativos.
O livro “A cédula de produto rural – ESG” propõe um modelo de CPR Verde para monetizar a preservação ambiental no agronegócio, transformando a conservação em fonte de receita através da emissão de títulos verdes.



