Agronegócio brasileiro fatura R$ 2,1 trilhões em 2025, alta de 13,45%
Destaques
- •As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro registraram faturamento conjunto de R$ 2,1 trilhões em 2025.
- •O setor apresentou crescimento real de 8,8% em 2025, apesar de juros altos e disputas comerciais.
- •92,7% das empresas do Agro100 investiram em inteligência artificial em 2025.
As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro alcançaram um faturamento conjunto de R$ 2,1 trilhões em 2025. O resultado representa um crescimento de 13,45% em relação ao ano anterior, com uma expansão real de 8,8%, descontada a inflação de 4,26% no período. Mesmo diante de juros elevados, disputas comerciais e riscos climáticos, o setor registrou o segundo maior faturamento da série histórica da pesquisa Forbes Agro100, atrás apenas de 2022.
O levantamento da Forbes Brasil, em sua sétima edição, reuniu companhias de sete segmentos da cadeia produtiva. Na comparação entre as mesmas empresas, a receita avançou de R$ 1,86 trilhão em 2024 para R$ 2,1 trilhões no ano seguinte. Esse desempenho ocorreu em um período marcado pela elevação das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos e pela retomada de tarifas comerciais americanas sobre produtos brasileiros, incluindo commodities agrícolas e proteína animal.
Setores em alta e a exceção da celulose
Seis dos sete setores analisados registraram crescimento de faturamento superior à inflação. O segmento de comércio e tradings liderou os avanços, com alta de 23,51%, impulsionado pela comercialização de grãos e conexão com o mercado internacional. A receita na proteína animal cresceu 16,37%, e a agroenergia (etanol de cana e milho, biocombustíveis) expandiu 13,37%. Alimentos e bebidas apresentaram um aumento de 7,2%.
A indústria de celulose foi a única exceção, pressionada pela queda nas cotações internacionais. No início de 2025, os preços chegaram a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada, um patamar considerado crítico para a sustentabilidade financeira do segmento. Essa diferença setorial evidencia como empresas da mesma cadeia econômica enfrentam condições de mercado distintas, influenciadas por preços, custos de insumos e demanda.
Pressão nos custos e planos de investimento
O desempenho financeiro das companhias ocorreu antes de uma nova pressão sobre os custos de produção. Em 2026, a elevação dos preços internacionais do petróleo impactou combustíveis e fertilizantes. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta um aumento de 9,8% nos gastos com insumos na safra 2026/27, com alta de pelo menos 15% nos fertilizantes. Como o Brasil importa cerca de 80% de seus fertilizantes, o setor fica mais exposto às oscilações do mercado externo.
As condições de financiamento e produção também passaram a influenciar os planos de investimento. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, divulgada em setembro de 2026, ouviu 5,5 mil agricultores em dez países e identificou uma redução de 24 pontos percentuais na intenção de ampliar investimentos em comparação com 2024. No Brasil, a queda foi de 25 pontos percentuais. Globalmente, 35% dos entrevistados reduziriam gastos com nutrientes e 36% condicionariam novas compras de equipamentos à recuperação da lucratividade.
Tecnologia e IA ganham espaço
Nesse cenário, a adoção de tecnologia tornou-se uma estratégia empresarial. Uma pesquisa da Forbes Brasil com companhias do Agro100 mostrou que 92,7% das respondentes investiram em alguma aplicação de inteligência artificial (IA), tanto em atividades administrativas quanto em processos produtivos. As iniciativas abrangem gestão, análise de dados e operações no campo, com a incorporação de ferramentas digitais.
A disseminação de soluções tecnológicas também é confirmada por uma pesquisa internacional da McKinsey. Metade dos produtores entrevistados utiliza pelo menos uma tecnologia desenvolvida por agtechs, um aumento de 4 pontos percentuais em relação a 2024. A IA generativa, incluída pela primeira vez no levantamento, já é utilizada por 17% dos agricultores, embora apenas 4% paguem por soluções. O planejamento das atividades é a principal aplicação, citada por 43%, seguida pelo manejo das lavouras (33%).
A continuidade dos investimentos em tecnologia dependerá das condições financeiras dos produtores e empresas nos próximos anos. Na pesquisa da McKinsey, 72% dos agricultores entrevistados afirmaram que a IA terá impacto em suas atividades dentro de três a cinco anos, período em que o setor precisará administrar o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas.


