Agência Lupa: 87,3% de conteúdos virais sobre saúde são falsos

Destaques
- •Relatório da Agência Lupa aponta que 87,3% de conteúdos virais sobre saúde analisados entre março de 2017 e junho de 2026 foram falsos.
- •O estudo analisou 764 materiais, identificando 667 como inverídicos, com um pico de desinformação durante a pandemia de Covid-19.
- •WhatsApp é a plataforma mais associada à circulação de notícias falsas em saúde, representando mais de 70% das checagens.
A Agência Lupa, pioneira na checagem de informações no Brasil, divulgou um relatório alarmante: 87,3% de conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho de 2026, foram classificados como falsos. A pesquisa, intitulada Raio-X da Desinformação em Saúde e com apoio da Afya, examinou um total de 764 materiais, dos quais 667 foram considerados inverídicos. Em média, foram identificadas quase 72 falsidades virais por ano, o que equivale a seis casos por mês.
O volume de desinformação em saúde explodiu durante a pandemia de Covid-19. Em 2020 e 2021, a Lupa checou aproximadamente dez vezes mais conteúdos sobre o tema do que nos três anos anteriores, totalizando 452 materiais virais. Essas mentiras frequentemente se propagaram por meio de falsas autoridades divulgando curas milagrosas e soluções simplistas para problemas complexos. Esse padrão, embora já existisse antes da pandemia, intensificou-se drasticamente.
Estratégias de propagação da desinformação
Segundo a fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, um dos maiores desafios é que a desinformação se apropria da linguagem e da autoridade de médicos e instituições para parecer legítima. A técnica da falsa autoridade médica ou científica foi responsável por 21,6% dos casos mapeados. Em seguida, o medo e a linguagem alarmista estiveram por trás de 17% das publicações falsas. A distorção de estudos e dados (15,7%) e as soluções simples para problemas complexos (12,6%) completam as estratégias mais utilizadas.
O vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, Gustavo Meirelles, destaca que o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para guiar pacientes em um ambiente com excesso de informações sem respaldo científico.
Temas recorrentes e desinformação sobre vacinas
Ao longo dos últimos nove anos, os temas mais recorrentes nas checagens da Lupa sobre saúde foram Covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%). A desinformação sobre vacinas, que representava 9,1% das checagens pré-pandemia, saltou para 33,2% durante a emergência sanitária e 38,9% entre 2022 e 2024. Embora tenha recuado para 20% no período mais recente (2025 a junho de 2026), esse volume ainda é mais que o dobro do patamar anterior à pandemia.
Das 244 alegações sobre vacinas analisadas, 86,9% foram classificadas como falsas. O relatório também identificou a presença de figuras públicas como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva em pelo menos 142 conteúdos. A agência ressalta que isso não significa que essas personalidades tenham produzido ou endossado as alegações, mas sim que terceiros se utilizam de sua reputação para espalhar desinformação.
Canais de circulação da desinformação
O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação de desinformação em saúde, sendo responsável por mais de 70% das 498 checagens analisadas. O Facebook aparece em segundo lugar, com 25,3% dos registros, seguido pelo Instagram, com 7%. A pesquisa pondera que esses dados podem ser influenciados pelo canal de recebimento de denúncias da Lupa, que prioriza o WhatsApp, e pelo fato de uma mesma publicação circular por diversas plataformas.
Matérias originais
- Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa · agenciabrasil.ebc.com.br



