A Era do Escárnio: O Legado de Hobsbawm e a Ironia de Xi Jinping
Destaques
- •O historiador Eric Hobsbawm analisou o 'longo século XIX' e o 'breve século XX'.
- •O autor sugere que o período atual pode ser caracterizado como a 'Era do Escárnio'.
- •A conversa entre Gorbatchov e Baker em 1990 sobre a expansão da OTAN é vista como um marco inicial.
Eric Hobsbawm, o renomado historiador marxista, nos deixou um legado de análises sobre as 'Eras' que moldaram o mundo. Sua obra, especialmente a trilogia sobre o 'longo século XIX' e 'A Era dos Extremos' sobre o 'breve século XX', nos convida a repensar a periodização histórica.
Agora, diante do cenário atual, o autor propõe uma nova caracterização para o período em que vivemos: a Era do Escárnio. Um conceito que ganha contornos irônicos com Xi Jinping alertando o Ocidente sobre o 'dilema de Tucídides'.
Um dos marcos iniciais dessa era, segundo o texto, remonta a 9 de fevereiro de 1990. Naquela data, documentos recém-desclassificados revelam que o então Secretário de Estado dos EUA, James Baker, teria garantido a Mikhail Gorbatchov que a OTAN não se expandiria para o Leste em troca da reunificação alemã.
A aceitação de um acordo verbal de tamanha magnitude por Gorbatchov, que mais tarde seria visto com desprezo, é apontada como um fator que contribuiu para o desastre na Rússia pós-soviética. Figuras como Trump e Merz são citadas como exemplos contemporâneos desse 'zeitgeist' escrachado.




