Violência urbana em SP dobra risco de obesidade, aponta estudo da USP
Destaques
- •Estudo longitudinal em São Paulo revelou que viver em áreas de alta violência persistente aumenta 2,77 vezes o risco de desenvolver obesidade.
- •A pesquisa sugere que políticas públicas de saúde isoladas não são suficientes para combater a obesidade, sendo necessária articulação com planejamento urbano e segurança.
- •A taxa de obesidade em adultos no Brasil mais que dobrou desde 2006, atingindo 25,7% em 2024.
A violência urbana em bairros de São Paulo pode ser um fator chave para o aumento da obesidade. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), publicada na BMC Public Health, analisou dados de 815 adultos entre 2014 e 2021.
Os resultados são impactantes: indivíduos expostos a ambientes de violência persistentemente alta tiveram uma incidência de obesidade 2,77 vezes maior em comparação com aqueles em áreas de baixa violência. O estudo, que coletou dados antes e durante a pandemia de covid-19, também considerou a percepção de segurança dos moradores.
A insegurança pode levar à redução de atividades físicas e à adoção de hábitos menos saudáveis, além de impactar a saúde mental e física. A deterioração da infraestrutura em áreas violentas também desestimula o acesso a espaços públicos.
Em paralelo, o Brasil enfrenta um crescimento alarmante da obesidade, que saltou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Os pesquisadores defendem que políticas públicas precisam ir além da recomendação de hábitos saudáveis, integrando planejamento urbano, segurança e redução de desigualdades para criar ambientes que permitam um estilo de vida mais saudável.

