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Treinamento com peso corporal reverte fragilidade em idosos, aponta estudo da USP

25 de outubro de 2026
Treinamento com peso corporal reverte fragilidade em idosos, aponta estudo da USP

Destaques

  • •Programa de exercícios com o próprio peso corporal demonstrou eficácia em idosos, melhorando força e reduzindo fragilidade.
  • •Estudo em Unidade Básica de Saúde (UBS) mostrou que 80% dos idosos frágeis passaram a pré-frágeis e 20% a robustos após 24 semanas.
  • •Pesquisa sugere que o método pode ser uma estratégia acessível para o manejo da fragilidade na atenção primária à saúde.

Um estudo realizado pela USP em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Sorocaba (SP) demonstrou que exercícios simples com o próprio peso corporal podem reverter o estado de fragilidade em idosos. O programa de treinamento intervalado, adaptado às condições de cada participante, não só melhorou a força e o desempenho funcional, mas também reduziu parâmetros da pressão arterial, segundo a pesquisa publicada na revista European Geriatric Medicine.

A fragilidade, caracterizada pelo declínio em múltiplos sistemas fisiológicos e pela diminuição da capacidade de resistir a estresses, está associada a dificuldades em atividades cotidianas, quedas e hospitalização. No Brasil, a prevalência de fragilidade é estimada em 9,1%, enquanto a pré-fragilidade atinge 51,8%.

O que diz a pesquisa

Um estudo randomizado controlado, publicado na revista European Geriatric Medicine, avaliou o efeito do treinamento intervalado com peso corporal (BWIT) em 60 idosos frágeis (média de 74 anos). Os participantes foram divididos em um grupo de intervenção (BWIT) e um grupo controle. Após 24 semanas, o grupo BWIT apresentou uma probabilidade significativamente maior de transição para estados menos frágeis (p < 0,001). O estudo observou melhorias na força de extensão do joelho, desempenho no teste de levantar e sentar, velocidade da marcha e redução da pressão arterial, sem alterações relevantes na composição corporal. A pesquisa, registrada no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (RBR-23t5jbh), conclui que o BWIT é eficaz na modificação do estado de fragilidade em idosos e pode ser uma estratégia viável e acessível para o manejo em atenção primária.

Como foi o estudo

A pesquisa acompanhou 60 idosos, com média de 74 anos, por seis meses. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um realizou o treinamento intervalado com peso corporal três vezes por semana, e o outro manteve suas atividades habituais. O programa de exercícios durava 30 minutos por sessão, incluindo aquecimento, 20 minutos de exercícios intervalados (30 segundos de esforço e 30 segundos de pausa) e alongamento. A intensidade foi aumentada gradualmente de moderada para vigorosa.

Resultados e impacto

Ao final das 24 semanas, 80% dos participantes que iniciaram como frágeis passaram para a condição de pré-fragilidade, e 20% tornaram-se robustos. Entre os pré-frágeis, 69,2% alcançaram a classificação de robustos. Além disso, houve redução na pressão arterial sistólica. Os exercícios com peso corporal não necessitaram de equipamentos sofisticados, o que facilita sua aplicação.

Potencial na atenção primária

O professor Francisco Luciano Pontes Júnior, orientador da pesquisa, destaca que o programa tem potencial para se tornar uma estratégia de manejo da fragilidade do idoso na atenção primária à saúde. A baixa necessidade de infraestrutura e a ausência de equipamentos especializados tornam a abordagem acessível. A atuação do profissional de Educação Física nas UBSs, em conjunto com a equipe de saúde, é vista como crucial para a prevenção e o cuidado de condições crônicas por meio do exercício físico.

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