Tokenização no Brasil: Promessas vs. Realidade no Mercado de Capitais

Destaques
- •A tokenização de ativos no Brasil ainda enfrenta desafios regulatórios e tecnológicos significativos.
- •Embora a tecnologia prometa agilidade e redução de custos, sua aplicação prática ainda se soma à infraestrutura tradicional, não a substitui.
- •Empresas menores, como a Open Co, já colhem benefícios com a tokenização sob regulamentações mais flexíveis (CVM 88).
A tokenização de ativos, como debêntures e CRIs, em blockchain tem gerado burburinho no mercado de capitais brasileiro. No entanto, a tecnologia ainda não entrega todas as suas promessas na prática.
Segundo especialistas, o principal gargalo é regulatório, com operações ainda atreladas às normas da CVM 160 e 88. Isso faz com que o token apenas reflita o ativo tradicional, sem automação financeira, e a blockchain funcione como uma camada adicional, podendo até reduzir a eficiência em alguns casos.
Ainda assim, ganhos operacionais em fluxos de autorização e assinaturas digitais já são observados. A CVM colocou a tokenização como prioridade para 2026, e cerca de R$ 6 bilhões já foram captados no país, com a VERT Capital respondendo por quase 60% desse volume.
Para pequenas empresas, a tokenização via CVM 88 tem se mostrado uma alternativa vantajosa. A Open Co, por exemplo, emitiu debêntures tokenizadas somando R$ 20 milhões, com prazos e custos até 50% menores que os modelos tradicionais.
No entanto, para o investidor, os retornos adicionais ainda não são claros nas operações maiores. Já em ofertas menores, como a da Open Co, a rentabilidade pode chegar a 17% ao ano. Mas atenção: a falta de um mercado secundário estruturado exige que o investidor mantenha o token até o vencimento.




