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Temporada de baleias jubarte tem menos nascimentos e temporada mais curta no Brasil

02 de novembro de 2026
Temporada de baleias jubarte tem menos nascimentos e temporada mais curta no Brasil

Destaques

  • •A temporada de baleias jubarte no Brasil em 2026 registrou uma queda significativa no número de nascimentos, com apenas 3,35% de filhotes, abaixo da média histórica de 9,98%.
  • •A principal hipótese para a diminuição dos nascimentos é o aquecimento global, que afeta a disponibilidade de krill na Antártida, principal alimento das baleias, impactando sua fertilidade.
  • •A temporada também se encerrou mais cedo devido à menor quantidade de filhotes, e o número total de baleias avistadas pode ser inferior à estimativa de 34,5 mil indivíduos de 2022.

A temporada de observação de baleias-jubarte no Brasil em 2026 registrou um número atipicamente baixo de nascimentos, com apenas 3,35% de filhotes entre os indivíduos avistados até setembro. Este índice está consideravelmente abaixo da média histórica de 9,98% registrada desde 2014 e também do recorde de 16,69% em 2024. A principal hipótese para essa queda é o aquecimento global, que estaria afetando a disponibilidade de krill nas áreas de alimentação antárticas, base nutricional essencial para as baleias acumularem gordura antes de sua migração de 4 mil quilômetros até o arquipélago dos Abrolhos, na Bahia.

Segundo o diretor de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, a escassez de alimento na Antártida impacta diretamente a capacidade reprodutiva. "Baleias que não se alimentam direito, quando vêm acasalar, não têm tanta fertilidade, ou a fêmea em gestação corre o risco de perder o filhote", explicou. Essa queda na natalidade também foi observada em populações de jubartes no Pacífico e na Austrália.

Temporada mais curta e alterações no monitoramento

A diminuição no número de nascimentos também resultou em um encurtamento da temporada de observação no Brasil. Geralmente, as baleias permanecem mais tempo no litoral brasileiro para que os filhotes desenvolvam musculatura e uma camada de gordura protetora para a migração de volta à Antártida. Com menos filhotes, a necessidade de prolongar a estadia diminui, antecipando o retorno dos adultos às áreas de alimentação.

As contagens populacionais deste ano ainda estão em andamento, mas as projeções preliminares indicam um número total de indivíduos ligeiramente inferior aos 34,5 mil espécimes contabilizados em 2022. O monitoramento é realizado por sobrevoo entre São Paulo e Rio Grande do Norte, além de contagens sistemáticas em rotas marítimas e cruzeiros científicos em Abrolhos. Os registros de encalhes também mostram um padrão atípico, com mais casos envolvendo animais jovens nos estados do Sul, possivelmente devido à menor capacidade de estocar gordura em anos de escassez de alimento.

Aportes corporativos e conservação

A Petrobras continua sendo a principal financiadora do Instituto Baleia Jubarte, com um aporte de cerca de R$ 30 milhões para o ciclo quadrienal atual. Essa parceria tem viabilizado ações de pesquisa e conservação, incluindo a adaptação de rotas logísticas para evitar corredores de migração de baleias, como a modificação das coordenadas de navios para o Terminal Aquaviário de São Sebastião (SP). O instituto utiliza inteligência artificial e imagens de drone para monitorar a saúde dos animais e mitigar impactos de atividades humanas.

O turismo de observação de baleias, impulsionado pelo aumento populacional da espécie desde a proibição da caça em 1987 e a criação do Parque Marinho de Abrolhos, tornou-se uma importante ferramenta de preservação. Ele agrega valor econômico à baleia viva e promove a conscientização sobre a importância desses cetáceos para o equilíbrio ambiental, como a fertilização dos mares e a captura de carbono, contribuindo para um ecossistema marinho mais saudável.

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