Tarifaço Americano: Planalto aposta em culpar Bolsonaro e blindar Lula

Destaques
- •Reação rápida do governo brasileiro agrada aliados de Lula.
- •Planalto mira em culpar o clã Bolsonaro pelo novo tarifaço dos EUA.
- •Lula usa a crise para reforçar discurso de soberania nacional.
O governo Lula reagiu rápido e com indignação à recomendação dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pegou o Planalto de surpresa. Aliados do presidente avaliam que a resposta foi acertada e que não haverá prejuízos eleitorais para o petista.
A estratégia agora é clara: associar a medida ao clã Bolsonaro e escalar o vice-presidente Geraldo Alckmin para coordenar as negociações e a resposta política. Lula, mesmo fora de Brasília, deu o tom eleitoral da nota oficial, buscando capitalizar o episódio.
Enquanto ministros buscam autoridades americanas para evitar a sanção, o Planalto foca em responsabilizar o senador Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, pela aproximação com o governo Trump e pelo impacto negativo na economia brasileira. A narrativa é de defesa da soberania nacional contra interesses estrangeiros.
A viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, no momento mais sensível das negociações, é vista como um erro que agravou a crise e deu a Lula a chance de retomar o discurso de patriotismo e proteção à economia. A tentativa de aproximação com Donald Trump, que se tornou um problema maior que o esperado, pode colar em Flávio.
O governo decidiu evitar confronto direto com Trump e concentrar o discurso político na responsabilização dos Bolsonaro, transformando o tema em um debate sobre soberania e proteção da economia nacional. Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para se dissociar politicamente da crise, especialmente após elogios públicos de Trump em redes sociais.




