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Síndrome de Stevens-Johnson: o que é e quais medicamentos podem causar a reação

28 de outubro de 2026
Síndrome de Stevens-Johnson: o que é e quais medicamentos podem causar a reação

Destaques

  • •Síndrome de Stevens-Johnson é uma reação inflamatória rara e grave a medicamentos, afetando pele e mucosas.
  • •Sintomas incluem febre, lesões na pele, bolhas na boca e nos olhos, podendo evoluir rapidamente.
  • •O tratamento exige internação hospitalar e suspensão do medicamento suspeito.

A síndrome de Stevens-Johnson é uma reação inflamatória rara e grave que afeta a pele e as mucosas, como as da boca e dos olhos. Descrita pela primeira vez em 1922, a condição é geralmente desencadeada por medicamentos e pode provocar bolhas, feridas dolorosas e descamação da pele, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos por ser uma emergência médica que pode levar ao risco de vida.

A gravidade da síndrome é classificada pela extensão do descolamento da pele: quando afeta menos de 10% da superfície corporal, é chamada de síndrome de Stevens-Johnson; acima de 30%, recebe o nome de necrólise epidérmica tóxica.

Sintomas e sinais de alerta

Os primeiros sintomas podem se assemelhar aos de uma gripe, com febre e mal-estar. Em seguida, surgem lesões na pele e nas mucosas que podem se espalhar rapidamente. Os principais sinais incluem:

  • Febre alta, dor de garganta, tosse e dores nas articulações.
  • Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, que podem ser dolorosas e evoluir para bolhas e descamação.
  • Bolhas e feridas na boca e nos lábios, dificultando a deglutição.
  • Lesões nos olhos, com dor, sensibilidade à luz e alterações na visão.
  • Dor ao urinar, se houver lesões na região genital ou no trato urinário.
  • Diarreia e vômitos.
  • Dificuldade para respirar e chiado no peito.

Causas e medicamentos associados

A síndrome é geralmente desencadeada por uma reação grave e imprevisível a determinados medicamentos, ocorrendo nas primeiras semanas após o início do uso, embora o intervalo possa variar. É importante notar que a síndrome é rara e pode acontecer mesmo com o uso correto do medicamento.

Entre os principais grupos de medicamentos associados à condição estão:

  • Anticonvulsivantes (epilepsia).
  • Analgésicos (alívio da dor).
  • Antirretrovirais (infecções virais).
  • Anti-inflamatórios (dores e inflamações).
  • Antibióticos (infecções bacterianas).
  • Medicamentos para tratar gota.

Em alguns casos, a síndrome pode estar relacionada a infecções, principalmente por vírus. Condições como sistema imunológico comprometido por HIV, câncer ou doenças autoimunes podem aumentar a predisposição.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito pela avaliação das lesões, exame das mucosas e histórico de uso de medicamentos. O reconhecimento dos sinais e o início rápido do tratamento são fundamentais, pois a síndrome pode evoluir rapidamente. Exames de sangue e urina podem ajudar a avaliar o estado geral do paciente e identificar complicações, e a biópsia de pele pode auxiliar na confirmação.

O tratamento exige internação hospitalar, suspensão do medicamento suspeito e cuidados com a pele e as mucosas. Pode incluir hidratação, controle da dor e monitoramento de complicações. A avaliação oftalmológica precoce é essencial, mesmo com sintomas leves nos olhos, para prevenir danos à visão.

Em casos mais graves, com extenso descolamento da pele, o paciente necessita de internação em UTI, com cuidados semelhantes aos de pacientes com queimaduras, devido ao alto risco de infecções. A dermatologista Jade Cury, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-SP), ressalta que a perda da proteção da pele aumenta o risco de complicações.

Riscos, sequelas e acompanhamento

A síndrome de Stevens-Johnson pode comprometer órgãos como fígado, rins e pulmões, e nos casos mais graves, levar à morte, especialmente se houver infecções graves ou falência de órgãos. As principais sequelas incluem alterações na pigmentação da pele, cicatrizes, úlceras na córnea e perda de visão. Na região genital, podem surgir aderências que causam estreitamento ou obstrução da uretra ou vagina.

Além das complicações físicas, a síndrome pode afetar a saúde mental, causando ansiedade e sintomas de estresse pós-traumático. Após a alta, o paciente pode precisar de acompanhamento com dermatologistas, oftalmologistas e ginecologistas, além de cuidados específicos com a pele e mucosas.

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