Saara Ocidental: A Contradição na Política Externa Brasileira

Destaques
- •Brasil reconheceu a Palestina e apoiou Timor-Leste, mas se recusa a reconhecer a República Árabe Saaraui Democrática (RASD).
- •O Saara Ocidental é considerado a última colônia da África, com descolonização inconclusa segundo a ONU.
- •A decisão brasileira parece subordinada a 'entendimentos diplomáticos' e cálculos estratégicos, contrariando o princípio constitucional da autodeterminação dos povos.
O Brasil, conhecido por defender a autodeterminação dos povos e o multilateralismo, reconheceu oficialmente o Estado da Palestina em 2010 e apoiou a independência de Timor-Leste.
No entanto, uma questão persiste: por que o país se recusa a reconhecer a República Árabe Saaraui Democrática (RASD), referente ao Saara Ocidental, território listado pela ONU como Não Autônomo e cuja descolonização está inconclusa.
A resposta parece estar em entendimentos diplomáticos passados, como o apoio marroquino à candidatura brasileira para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o que teria levado o Brasil a subordinar um direito internacionalmente reconhecido a cálculos estratégicos.
Essa seletividade enfraquece a credibilidade brasileira, pois o princípio da autodeterminação torna-se condicionado a conveniências geopolíticas, em vez de ser um valor universal. A neutralidade diante da ocupação marroquina no Saara Ocidental acaba acomodando o status quo.
Reconhecer a RASD reafirmaria o compromisso constitucional brasileiro com a autodeterminação, um direito que, segundo a Constituição Federal, nenhum povo pode ser privado indefinidamente. Chegou a hora de o Brasil responder com coerência e concluir esse percurso histórico 🌍.




