Rio de Janeiro aprova definição de antissemitismo que choca diplomatas e gera polêmica
Destaques
- •Câmara do Rio de Janeiro adota definição de antissemitismo da IHRA, contrariando a diplomacia brasileira.
- •Críticos alertam que a medida pode criminalizar a crítica ao Estado de Israel e a solidariedade à Palestina.
- •A decisão ignora a posição oficial do governo brasileiro e do PT sobre o conflito Israel-Palestina.
A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou a adoção da definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para Memória do Holocausto), um movimento que vai na contramão da política externa brasileira e acende um alerta geral.
A polêmica gira em torno da equiparação, feita pela IHRA, entre antissionismo e antissemitismo. Críticos apontam que essa definição pode ser usada como um instrumento ideológico para silenciar debates sobre as ações de Israel na Palestina, transformando críticas legítimas em crime de ódio.
Isso porque, na prática, a adoção dessa definição pode levar à criminalização da solidariedade à Palestina e à censura de debates acadêmicos e políticos, como já teria ocorrido em universidades na Alemanha e no Reino Unido.
A comunidade judaica está dividida, com intelectuais progressistas criticando a definição da IHRA por entenderem que ela “sequestra” a identidade judaica em favor de um projeto sionista. Como alternativa, propõem a Declaração de Jerusalém sobre o Antissemitismo (DJA), que define o antissemitismo de forma mais direta e sem essa equiparação.
O debate chegou ao Brasil com o Projeto de Lei 1.424/2026, proposto pela deputada federal Tábata Amaral, que buscava oficializar as diretrizes da IHRA. A medida gerou forte reação, com parlamentares e juristas apontando inconstitucionalidade e risco de censura, especialmente por parte de um município tentar legislar sobre matéria penal, de competência federal.
Apesar da controvérsia e de parlamentares do próprio PT terem retirado apoio ao projeto federal, a Câmara do Rio aprovou um texto que, embora não estipule penas, é visto como uma manifestação política favorável ao sionismo e um instrumento de perseguição administrativa. O movimento é interpretado como um avanço do sionismo, base do bolsonarismo, em um momento delicado para a soberania nacional.
A decisão no Rio de Janeiro representa um contraponto direto à política externa do governo Lula, que denuncia Israel por crimes contra a humanidade. A aprovação, com votos até mesmo de petistas e sem debate com a direção do partido, é vista como uma afronta à soberania nacional e à posição diplomática brasileira, criando um conflito direto com as ações do presidente Lula e do PT. 🏛️

