Raízen em apuros: prejuízo bilionário e recuperação extrajudicial em jogo

Destaques
- •Raízen registra prejuízo líquido de R$ 27,1 bilhões no ano-safra 2025/26, um dos maiores da história corporativa brasileira.
- •A maior parte da perda é contábil, ligada a provisões e ativos fiscais que a empresa não espera mais aproveitar.
- •A recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões busca reestruturar a dívida e garantir a continuidade da operação.
A Raízen, gigante do etanol, açúcar e combustíveis, divulgou um balanço que assustou o mercado: um prejuízo líquido consolidado de R$ 27,1 bilhões no ano-safra 2025/26. O número é um dos maiores já vistos por uma empresa de capital aberto no Brasil.
Mas calma, a maior parte dessa sangria é contábil, sem afetar o caixa da empresa. O vilão da vez foi o processo de recuperação extrajudicial, que forçou a Raízen a reconhecer R$ 22,5 bilhões em provisões. Deste total, mais de 80% se referem a ajustes em ativos fiscais, como tributos diferidos que a companhia não espera mais usufruir.
Essa situação levanta dúvidas sobre a própria continuidade da empresa, fazendo o estoque de prejuízo fiscal não reconhecido disparar.
A recuperação extrajudicial, que abrange R$ 64,7 bilhões em créditos financeiros, é a aposta da Raízen para sair dessa enrascada. O plano inclui um aporte da Shell, conversão de dívidas em ações e extensão dos prazos de pagamento.
Sem os ajustes contábeis, o resultado operacional (Ebitda) ajustado ficou praticamente estável. A distribuição de combustíveis, aliás, teve um desempenho recorde. Contudo, o resultado financeiro líquido negativo de R$ 11,9 bilhões, puxado pelo aumento da dívida e do CDI, pesou bastante. 📉

