Projeto Pioneiras nas Escolas leva ex-jogadoras da seleção a escolas no Rio

Destaques
- •Programa Pioneiras nas Escolas leva ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol para inspirar alunas da rede pública no Rio de Janeiro.
- •Atividades incluem palestras sobre superação do machismo e dificuldades enfrentadas no esporte, além de minitorneios de futebol.
- •Projeto se alinha à preparação do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027.
O programa Pioneiras nas Escolas iniciou suas atividades na última quarta-feira (21) na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O projeto leva ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol para interagir com alunas da rede pública de ensino, promovendo inspiração e conscientização sobre a modalidade.
Mais de 100 estudantes lotaram um auditório para ouvir e interagir com as ex-craques Marisa Pires (Caju), Maria Lúcia Lima (Fia) e Marilza Martins (Pelezinha). Elas compartilharam histórias de motivação, curiosidades e, principalmente, as dificuldades enfrentadas, como o machismo e o preconceito, em uma época em que o futebol feminino era proibido no Brasil.
O passado proibido do futebol feminino
O futebol era vetado para mulheres no Brasil entre 1941 e 1979, com base no Decreto-Lei 3.199, que considerava o esporte incompatível com a natureza feminina. A proibição surpreendeu a estudante Nicoly Melo, de 12 anos, que questionou o motivo da restrição.
O esporte só foi liberado em 1979 e regulamentado em 1983. A primeira seleção brasileira disputou uma competição experimental em 1988, na China, e a primeira Copa do Mundo Feminina ocorreu três anos depois, também na China. A estreia olímpica do futebol feminino feminino foi em 1996, em Atlanta.
Superando o machismo e o preconceito
Maria Lúcia Lima, a Fia, hoje com 62 anos, relatou o machismo enfrentado e como confiava em sua habilidade para jogar contra meninos e superar as barreiras. Ela esteve na seleção por cinco anos, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira Olimpíada.
A ex-zagueira Marisa Pires (Caju), de 60 anos, que integrou a seleção de 1988 a 1999, com 43 jogos e 34 vitórias, relembrou provocações de torcedores que diziam que mulheres não serviam para jogar futebol. Ela afirmou que essas palavras as motivavam a provar o contrário.
A atual árbitra de partidas também destacou a importância de mostrar que mulheres sabem jogar futebol.
Educação, esporte e legado olímpico
O projeto Pioneiras nas Escolas é coordenado pela ex-jogadora Duda Luizelli, que ressalta a importância de as mulheres acreditarem em suas capacidades e manterem o foco nos estudos. Ela enfatiza que a carreira de atleta é curta e a educação garante continuidade.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto. A Escola Juan Antonio Samaranch é um Ginásio Experimental Olímpico (GEO) desde 2012, com ensino integral e incentivo a práticas esportivas. Atualmente, o Rio possui 12 GEOs.
Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, conectou o Pioneiras nas Escolas à preparação do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. Ela considera o projeto fundamental para a rede de ensino.
A aluna Letícia Pereira, de 15 anos, vê o projeto como um privilégio e um passo importante para mostrar que o esporte pode oferecer futuro às alunas, especialmente em uma escola já voltada para o esporte.
Matérias originais
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