Presidente do Ceará admite crise financeira e detalha planos para pagamento de dívidas

Destaques
- •Presidente do Ceará, João Paulo Silva, revela atrasos de sete meses nos direitos de imagem e salários.
- •Crise financeira é atribuída à inflação do mercado de atletas e queda drástica em receitas como sócio-torcedor e patrocínios.
- •Novos acordos de bilheteria e sócio-torcedor dependem da permanência do clube na Série B para serem sacramentados.
O presidente do Ceará, João Paulo Silva, admitiu em entrevista exclusiva ao ge a grave crise financeira que o clube atravessa, com sete meses de atraso nos direitos de imagem e salários de atletas e funcionários. Segundo o dirigente, o problema é nacional e afeta todo o futebol brasileiro, mas se agrava no clube cearense devido a brigas políticas, insatisfação da torcida e mau desempenho em campo, colocando a instituição em um dos piores momentos das últimas décadas.
Silva reconheceu que o dinheiro recebido nos últimos três anos, proveniente de patrocínios e da Liga Forte Futebol (LFU), inflacionou o mercado de atletas, com salários de jogadores da Série B dobrando ou triplicando. Essa realidade, segundo ele, exigia reinvenção e adequação das contas, algo que os clubes que não o fizeram, como o Ceará, agora enfrentam as consequências, agravadas pelo risco de rebaixamento para a Série C.
Atrasos e Impactos Operacionais
Os atrasos nos pagamentos atingiram todos os setores, incluindo serviços terceirizados como a coleta de lixo, que chegou a ser suspensa. Apesar disso, João Paulo Silva garantiu que a operação do clube nunca foi prejudicada, com viagens e concentrações mantidas, diferentemente de outros clubes que, mesmo brigando pelo acesso, cortam custos em áreas como a médica.
A busca por recursos externos para honrar os compromissos tem sido dificultada pelo desempenho da equipe na Série B. A incerteza sobre a permanência na segunda divisão impede a liberação de crédito por fundos e instituições, que não encontram garantias. "É óbvio que todo mundo pensa: 'Vou emprestar dinheiro para um clube que pode cair para a Série C?'", exemplificou o presidente.
Queda nas Receitas e Novos Acordos
As receitas do clube sofreram uma queda drástica. O programa de sócio-torcedor, que rendia R$ 2 milhões por mês, caiu para R$ 150 mil. Os jogos em casa, com exceção do clássico contra o Fortaleza, não têm gerado lucro, e alguns chegam a dar prejuízo de R$ 40 mil a R$ 50 mil. Além disso, o clube deixou de receber R$ 800 mil mensais de um patrocinador de apostas, após a proibição pelo Governo Federal.
Para solucionar a crise, João Paulo Silva detalhou um acordo com atletas para pagamento de salários e direitos de imagem, condicionado à permanência na Série B. Um novo contrato com uma empresa de tiqueteira e gestão de sócios foi assinado, prevendo um adiantamento e o maior patrocínio da história do clube, mas a oficialização depende da confirmação na segunda divisão. Há também a possibilidade de uma operação de crédito com o recebível da LFU para o próximo ano.
Conflitos Políticos e Passivo
O presidente acredita que a oposição tem agido para expor os problemas do clube e manchar sua imagem, pressionando a torcida. Os conflitos se intensificaram desde o rebaixamento em 2025, com protestos e até uma ameaça ao dirigente através de sua filha, que recebeu uma bomba caseira. Atualmente, a maioria dos atletas recebe via CLT, com direitos de imagem em aberto para 11 jogadores. O passivo total do clube gira em torno de R$ 240 milhões.



