Polícia da Nova Zelândia arquiva caso de Ryan Mendes e acusa brasileira de falso testemunho

Destaques
- •Investigação policial sobre acusação de violência sexual contra o jogador Ryan Mendes foi concluída sem provas.
- •Brasileira que fez a denúncia foi formalmente acusada de falso testemunho sob a Lei de Crimes da Nova Zelândia.
- •A acusada deverá comparecer ao Tribunal Distrital de Auckland em 10 de novembro de 2026 para responder às acusações.
A polícia da Nova Zelândia concluiu as investigações sobre uma denúncia de violência sexual contra Ryan Mendes, capitão da seleção de Cabo Verde, apresentada por uma brasileira em abril de 2026. Segundo o Inspetor Detetive Scott Beard, a alegação não foi comprovada, e o jogador não será processado.
Em contrapartida, as autoridades neozelandesas informaram que a brasileira foi formalmente acusada de falso testemunho, com base na Lei de Crimes da Nova Zelândia (Crimes Act). O Inspetor Detetive Scott Beard ressaltou que a decisão de iniciar um processo criminal nessas circunstâncias não é tomada levianamente e segue meses de trabalho investigativo por uma equipe especializada em agressões sexuais contra adultos.
Entenda o caso e as acusações
A denúncia foi registrada na polícia de Auckland em 10 de abril de 2026, relatando um suposto crime ocorrido em 27 de março no hotel onde a seleção de Cabo Verde estava hospedada para amistosos do Fifa Series. Na época, a brasileira, que atuava como intérprete e apoio da seleção, prestou depoimento, entregou fotos e um relatório médico de uma clínica local que auxiliou em exame forense.
Ela alegou ter sido convidada para uma reunião no hotel após o primeiro jogo, onde teria sido agredida fisicamente e estuprada pelo jogador. O relatório médico indicou lesões visíveis, incluindo escoriações e áreas de sensibilidade em diferentes partes do corpo, além de lesões genitais.
Investigação e conclusão policial
A polícia iniciou a investigação após o registro da denúncia e aguardou o laudo pericial dos exames de corpo de delito. Em 4 de novembro de 2026, a polícia comunicou a conclusão do inquérito, que resultou na acusação da brasileira por falso testemunho.
O Artigo 111 do Crimes Act 1961, principal legislação penal da Nova Zelândia, prevê pena de prisão de até três anos para quem fizer uma declaração falsa que configuraria perjúrio. O Artigo 112 adiciona que condenações por perjúrio ou declaração falsa exigem corroboramento por provas que incriminem o réu, além do depoimento de uma testemunha.
Próximos passos para a acusada
A brasileira foi intimada a comparecer ao Tribunal Distrital de Auckland na próxima terça-feira, 10 de novembro de 2026. Segundo o advogado internacional Mauricio Ejchel, nesta etapa, as acusações serão apresentadas, a ré deverá constituir advogado (ou terá um indicado pela Corte) e poderá se declarar culpada ou inocente. Caso conteste, o caso seguirá para preparação e julgamento.
A família da brasileira foi notificada, mas não se pronunciará neste momento. A polícia da Nova Zelândia informou que não pode fazer mais comentários sobre o assunto, pois o caso está sob jurisdição dos tribunais neozelandeses.



