PMESP: Dinheiro Federal para Câmeras Corporais, Conteúdo Viraliza com Deboche

Destaques
- •Polícia Militar de SP recebe R$ 27 milhões do governo federal para ampliar uso de câmeras corporais.
- •Apesar de regras federais, PMESP usa imagens para entretenimento no YouTube com títulos como 'Foi de arrasta'.
- •Vídeos sensacionalistas geram 24x mais visualizações, mas violam normas internas e federais sobre dignidade e segurança.
A Polícia Militar de São Paulo (PMESP) recebeu mais de R$ 27 milhões do governo federal para expandir o uso de câmeras corporais. A ironia? A corporação tem usado essas mesmas imagens para criar conteúdo de entretenimento no YouTube, ignorando regras federais e até as suas próprias normas internas.
O canal oficial da PMESP no YouTube está recheado de vídeos com títulos como “Foi de arrasta” e “Ativou 5 estrelas”, referências a gírias da internet e jogos de videogame, que espetacularizam perseguições e violência. Essa estratégia, que começou a ganhar força em outubro de 2023, tem dado resultado em visualizações: vídeos agressivos chegam a ter 24 vezes mais audiência que os institucionais.
O problema é que essa busca por engajamento ignora diretrizes claras sobre a preservação da dignidade das pessoas, expondo suspeitos, moradores e até os próprios policiais. A Portaria MJ nº 648, por exemplo, proíbe a divulgação de registros que causem constrangimento ou situações vexatórias, o que não parece ser o caso aqui.
Essa 'inovação' na comunicação, que incluiu capacitação de policiais em um festival de audiovisual comercial com dispensa de licitação, contraria até o Regulamento Disciplinar da própria PMESP, que veda a divulgação de fatos que possam desprestigiar a instituição ou comprometer a segurança. O Ministério da Justiça afirma que São Paulo apresentou a documentação necessária para o repasse do dinheiro, mas a fiscalização parece ser apenas burocrática, sem análise do conteúdo de fato publicado. 📉




