PIB do Brasil desacelera e BC se desdobra com dívida indexada à Selic

Destaques
- •Projeções da ONU indicam desaceleração do PIB brasileiro em 2026.
- •Banco Central enfrenta desafio com alta dependência da dívida pública atrelada à Selic.
- •Medidas de estímulo e políticas industriais podem dar suporte à demanda interna.
A Organização das Nações Unidas (ONU) jogou um balde de água fria nas projeções de crescimento do Brasil, prevendo uma desaceleração do PIB para 2,0% em 2026, ante os 2,3% de 2025.
A justificativa? Condições monetárias ainda restritivas, ou seja, a taxa Selic continua alta demais frente à inflação. Mas nem tudo é pessimismo, a ONU aponta que medidas como o aumento do salário mínimo e a elevação da isenção do Imposto de Renda vão dar um gás na demanda interna.
Do lado do Banco Central, o presidente Gabriel Galípolo alertou para um nó na estratégia de controle da inflação: cerca de 50% da dívida soberana está atrelada à Selic. Isso significa que, quanto mais o BC sobe os juros para esfriar a economia, mais ele injeta dinheiro no bolso de quem detém esses títulos, o que pode minar o próprio objetivo.
A situação é tensa, com a Selic em 14,50% e expectativas de inflação para 2028 subindo, impulsionadas por choques como a guerra no Oriente Médio e o El Niño. Galípolo ainda reforçou a necessidade de autonomia financeira para o BC não ser "asfixiado" pela falta de recursos para fiscalização.
No fim das contas, o Brasil segue com um mercado de trabalho resiliente e avançando em políticas industriais como a Nova Indústria Brasil, mas a gestão da dívida pública e o controle inflacionário continuam sendo um malabarismo delicado. 📉




