Palestina: A Fuga para a Frente da 'Solução de Um Estado'

Destaques
- •A 'solução de um Estado' é vista como uma forma de evitar as dificuldades da luta pela libertação nacional palestina.
- •A solução de dois Estados é considerada uma etapa necessária e inevitável para a concretização da entidade nacional palestina e igualdade futura.
- •O texto argumenta que a solução de um Estado, para ser realista e democrática, deve ser uma etapa posterior à solução de dois Estados.
A discussão sobre a solução de um Estado como alternativa à solução de dois Estados é uma manobra para fugir das dificuldades da luta palestina, em vez de enfrentá-las.
A realidade é que a solução de um Estado, para ser democrática e garantir igualdade, só pode ser alcançada passando pela solução de dois Estados, que é uma etapa inevitável para a concretização da entidade palestina.
O que se chama de “solução de dois Estados” é o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos e a retirada para as fronteiras de 1967.
A visão de um Estado único, democrático e secular é antiga, mas a realidade do equilíbrio de poder levou à adoção do “programa de transição” focado na remoção da ocupação e no direito de retorno dos refugiados.
A alegação de que a “solução de um único Estado” une os palestinos ignora que a opção de dois Estados já tem amplo consenso entre as forças palestinas.
Abandonar a solução de dois Estados por dificuldades seria como demolir os alicerces de um prédio por achar difícil colocar o telhado.
Aceitar o fait accompli de Israel nos territórios de 1967 é uma suposição incorreta; o desmantelamento de assentamentos já ocorreu no passado e é aceito por parte da classe dominante israelense.
A solução de dois Estados pode não garantir uma solução automática para os refugiados, mas existe um consenso internacional e árabe para uma solução que inclua o direito de retorno, conforme a Resolução 194.
A criação de um Estado palestino independente nas fronteiras de 1967 é a solução de dois Estados, que, na visão radical, levará a um Estado democrático unificado garantindo igualdade. Sem isso, o “Estado único” pode se tornar um Estado de apartheid.


