Oposição pede afastamento da diretoria da Ponte Preta e intervenção no clube

Destaques
- •Grupos de oposição e ídolos históricos da Ponte Preta protocolaram denúncia na CBF pedindo afastamento de dirigentes e intervenção no clube.
- •A denúncia, com 58 páginas, alega gestão temerária, violações de governança e transparência, e aponta para uma dívida total de R$ 320 milhões.
- •O presidente Luiz Torrano criticou a oposição, afirmando que a mobilização prejudica negociações com investidores e atribuiu a crise a dívidas de gestões anteriores.
Um documento com 50 assinaturas, incluindo ídolos históricos como Dicá, Oscar Bernardi, Juninho Fonseca e André Cruz, além do ex-treinador Nelsinho Baptista, foi protocolado no Comitê de Ética da CBF pedindo o afastamento de integrantes da diretoria executiva da Ponte Preta e a intervenção no clube. A iniciativa parte dos grupos de oposição Mãos Pontepretanas e Ponte Pode Mais, que buscam preservar a instituição, proteger os profissionais e criar condições para a recuperação da Macaca.
O documento de 58 páginas, protocolado no último sábado, 24 de outubro, reúne elementos que, na avaliação dos responsáveis, justificam a análise do caso pela CBF. A denúncia cita "indícios de gestão irregular, violações a deveres de governança, transparência e integridade esportiva na Associação Atlética Ponte Preta", com pedido urgente de suspensão provisória de membros da diretoria executiva e do Conselho Deliberativo, além de intervenção por administração independente.
O que a oposição argumenta?
Entre os pontos destacados pela oposição em relação à gestão do presidente Luiz Torrano e do vice Marco Antônio Eberlin estão a suspeita de gestão temerária, com supostas irregularidades e infrações éticas. O grupo também aponta a grave crise financeira enfrentada pelo clube, que inclui atrasos salariais e a necessidade de recursos para manter as atividades. Defendem a apuração e responsabilização dos fatos, a falta de um plano de recuperação e uma mudança na condução do clube, com renúncia da atual diretoria e transição administrativa.
O movimento ressalta o histórico da Ponte Preta no futebol brasileiro e a necessidade de preservar seu legado. O advogado André Megale, ex-diretor da CBF e responsável técnico pela denúncia, afirmou que o documento é "robusto" e aponta para uma "administração temerária", fundamentando o pedido de intervenção.
Alvos e críticas da diretoria
Os alvos dos pedidos de afastamento são o presidente Luiz Torrano, o primeiro-vice Marco Antonio Eberlin (também diretor de futebol), o segundo vice-presidente Jeronimo Tognolo, o presidente do Conselho Deliberativo José Armando Abdalla Júnior e o vice-presidente do Conselho Deliberativo Nilton Levantesi.
Em resposta, o presidente Luiz Torrano criticou a oposição, afirmando que a mobilização política prejudica as conversas com possíveis investidores. Ele atribuiu a crise financeira a dívidas acumuladas em gestões anteriores e pediu desculpas pelos dois rebaixamentos sofridos pelo clube, assumindo a culpa por "indicações de diretoria incorretas".
Crise financeira e dívidas
A denúncia ocorre em meio a uma crise política e financeira que levou a Ponte Preta a rebaixamentos no Paulistão e na Série B do Brasileiro. Segundo uma auditoria feita durante negociações para a criação de uma SAF (rejeitada pelos associados), a dívida total do clube gira em torno de R$ 320 milhões (sem considerar o débito de IPTU, estimado em R$ 20 milhões), com um déficit mensal de cerca de R$ 2,8 milhões. O último balanço de 2025 apresentou um déficit de R$ 33.575.770. A falta de recursos tem causado atrasos salariais recorrentes, com alguns atletas e profissionais do departamento de futebol chegando a mais de um ano sem receber.



