OMS: Ações climáticas podem salvar 1,6 milhão de vidas por ano
Destaques
- •Relatório da OMS aponta que seis medidas voltadas à saúde e ao clima podem evitar quase 1,6 milhão de mortes anualmente.
- •Ações incluem alertas de calor, acesso à água potável, saneamento, higiene das mãos, energia limpa e revisão de subsídios a combustíveis fósseis.
- •Mudanças em impostos e subsídios de combustíveis fósseis são responsáveis pela maior parte das vidas salvas, com projeções de R$ 4,63 trilhões em benefícios líquidos anuais.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado aponta que a ampliação de seis medidas voltadas à saúde e ao enfrentamento das mudanças climáticas tem o potencial de salvar quase 1,6 milhão de vidas por ano em diversos países, incluindo o Brasil. As ações propostas visam combater os impactos diretos e indiretos do aquecimento global na saúde humana.
As iniciativas abrangem desde a criação de sistemas de alerta de calor e a ampliação do acesso à água potável e saneamento básico, até a promoção da higiene das mãos, o uso de energia doméstica menos poluente e a revisão de subsídios e impostos sobre combustíveis fósseis. Juntas, essas medidas também poderiam evitar a emissão de 16,67 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, conforme estimado em equivalente de dióxido de carbono.
O impacto das ações climáticas na saúde
O documento da OMS detalha como problemas ambientais, como calor extremo, contaminação da água e poluição do ar, estão diretamente ligados a riscos à saúde. A redução desses riscos, através das medidas propostas, pode prevenir mortes e diminuir a necessidade de atendimento médico, aliviando a pressão sobre os sistemas de saúde.
A implementação dessas intervenções envolve a colaboração entre governos, serviços públicos e infraestrutura, além de melhorias nas condições de vida da população. O relatório considera projeções que chegam até 2075, com a estimativa de vidas salvas sendo uma média anual para os períodos avaliados.
Mudanças em combustíveis fósseis e seus benefícios
A revisão das políticas de preços dos combustíveis fósseis, com a retirada gradual de incentivos e o ajuste na tributação, é apontada como a ação com maior potencial de salvar vidas. Essa medida responde pela maior parcela das mortes evitadas anualmente, com cerca de 1,2 milhão de vidas salvas. Os benefícios associados incluem a redução da poluição do ar, que pode prevenir mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias, e a diminuição de acidentes de trânsito.
As outras cinco medidas somam aproximadamente 360 mil mortes evitadas anualmente. Elas atuam na proteção contra o calor extremo, na prevenção de infecções através de água potável e saneamento, e na redução da exposição à fumaça em ambientes domésticos, muitas vezes gerada pelo uso de combustíveis poluentes no preparo de alimentos.
Investimento e retorno financeiro
Para as cinco medidas com custos de implantação calculados, o relatório estima um investimento anual equivalente a R$ 194,45 bilhões. No entanto, o benefício líquido, já descontados os custos, é projetado em impressionantes R$ 4,63 trilhões por ano. Essa conta considera não apenas a redução de mortes, mas também outros ganhos econômicos, como a diminuição de despesas com doenças, o aumento da produtividade e a economia de tempo.
A OMS também destaca que essas iniciativas podem contribuir para a redução de desigualdades entre países. Os maiores retornos em relação ao investimento foram estimados em nações de renda baixa e média, reforçando a importância do acesso à infraestrutura e aos serviços que protegem a saúde pública e o meio ambiente.



