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Mulheres negras têm mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior

28 de outubro de 2026
Mulheres negras têm mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior

Destaques

  • •Mulheres negras apresentam taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes superior à de mulheres brancas, segundo o Inca.
  • •Diagnósticos tardios e maior incidência do subtipo triplo-negativo explicam parte da disparidade.
  • •Inca defende políticas públicas com equidade e redução de fatores de risco para diminuir a mortalidade.

Mulheres negras têm uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior do que as mulheres brancas, de acordo com um levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os dados foram compilados na publicação "Disparidades raciais na incidência do câncer de mama", lançada na sede do Inca, no Rio de Janeiro, durante evento do Outubro Rosa.

Apesar de a incidência da doença ser maior em mulheres brancas, as negras apresentam índices mais elevados de mortalidade. Essa diferença pode estar relacionada a características biológicas dos tumores e à desigualdade de acesso à saúde.

Diagnósticos tardios e subtipo agressivo

A coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, Márcia Sarpa, explica que o diagnóstico da doença em fase avançada é mais frequente entre as mulheres negras (60%) do que entre as brancas (50%). Segundo o levantamento, as mulheres negras também têm maiores incidências do câncer de mama triplo-negativo, um subtipo considerado mais agressivo, de difícil detecção e tratamento, com potencial de se espalhar rapidamente.

Desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e situações de estresse relacionadas às condições de vida também podem contribuir para as disparidades raciais, assim como elementos ligados à ancestralidade.

Políticas públicas e prevenção

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, acredita que os resultados do estudo mostram a necessidade de construir políticas públicas com equidade para possibilitar o acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde. "O papel da prevenção é determinante. Se a gente continuar sem olhar o aumento da incidência, estaremos sempre lidando com um problema cada vez maior", destacou.

O documento também defende a importância de reduzir fatores de risco, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, além de incentivar hábitos saudáveis como boa alimentação, prática de atividade física e aleitamento materno. Segundo estimativas do Inca, cerca de 17% dos casos poderiam ser prevenidos com a adoção desses hábitos.

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