Vida & SaúdeRelevância BR: 2/10

Microplásticos podem alterar a cor do Oceano Pacífico, aponta estudo

06 de novembro de 2026
Microplásticos podem alterar a cor do Oceano Pacífico, aponta estudo

Destaques

  • •Cientistas da Universidade de Bergen, na Noruega, sugerem que o aumento de microplásticos na Grande Mancha de Lixo do Pacífico pode ser a causa da mudança de cor da água.
  • •Análise de 20 anos de dados de satélite revelou um aumento significativo no brilho dos comprimentos de onda azul e verde na região, indicando uma possível coloração ciano.
  • •Próximos passos incluem medições diretas no local para confirmar a hipótese e a aplicação da metodologia a outras áreas com alta concentração de microplásticos.

Uma vasta área do Oceano Pacífico, conhecida como Grande Mancha de Lixo Plástico, tem apresentado uma mudança notável em sua cor nas últimas duas décadas, tornando-se significativamente mais azul e verde. Cientistas da Universidade de Bergen, na Noruega, publicaram um estudo na revista Communications Earth & Environment sugerindo que o aumento da poluição por microplásticos pode ser o principal responsável por essa alteração.

A Grande Mancha de Lixo Plástico do Pacífico é um turbilhão de detritos plásticos, composto por itens que vão desde redes de pesca a embalagens. Grande parte desse lixo é fragmentada em microplásticos, partículas minúsculas difíceis de serem vistas a olho nu. A cor do oceano é um reflexo de sua composição, incluindo organismos como o fitoplâncton e detritos marinhos. No entanto, a influência dos microplásticos na coloração oceânica era uma lacuna na pesquisa.

Análise de dados e simulações

O estudo analisou 20 anos de dados de satélite da região, entre 2002 e 2022. Os pesquisadores observaram um aumento significativo no brilho dos comprimentos de onda azul e verde dentro e ao redor da mancha de lixo, em comparação com as águas circundantes. Essa alteração sugere que a água pode ter adquirido uma coloração ciano.

Para investigar as causas, os cientistas realizaram simulações, testando se a mudança de cor poderia ser atribuída a fatores naturais, como variações no fitoplâncton. No entanto, ao introduzir dados sobre a presença de plásticos nas simulações, eles observaram um grande aumento na probabilidade de a água adquirir a cor ciano detectada por satélite. Os microplásticos, segundo o estudo, tendem a produzir um espectro de luz específico que resulta nessa tonalidade.

O que vem a seguir e os impactos

Apesar das descobertas promissoras, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário trabalho para comprovar que a cor observada nos dados de satélite é causada direta e exclusivamente por plásticos. O próximo passo crucial será realizar medições diretas na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um processo que é complexo e caro.

Se as conclusões forem confirmadas, essa metodologia de análise poderá ser aplicada a outras áreas oceânicas com altas concentrações de microplásticos. Isso ajudaria a quantificar e monitorar a extensão do problema, que é um desafio devido ao tamanho e à mistura das partículas com outros materiais. Cientistas estimam que até 13 milhões de toneladas métricas de plástico chegam ao oceano anualmente, mas apenas uma fração é encontrada na superfície, um fenômeno conhecido como o "paradoxo do plástico desaparecido".

Os microplásticos podem causar danos generalizados, sendo ingeridos por animais marinhos e entrando na cadeia alimentar. Eles também podem transportar poluentes e afetar a capacidade do oceano de armazenar carbono. A detecção remota de plásticos por satélites e drones, se aprimorada, poderia oferecer uma forma mais rápida e econômica de monitorar a poluição em comparação com métodos tradicionais de contagem.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas