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Melatonina pode potencializar tratamento contra câncer cerebral, dizem estudos

01 de novembro de 2026
Melatonina pode potencializar tratamento contra câncer cerebral, dizem estudos

Destaques

  • •Pesquisas em laboratório sugerem que a melatonina pode aumentar a eficácia da quimioterapia contra o glioblastoma.
  • •Estudos indicam que a substância pode dificultar a sobrevivência e multiplicação de células tumorais, mas doses e segurança em humanos ainda são incertas.
  • •Ensaios clínicos são necessários para confirmar os benefícios e determinar o uso seguro da melatonina como coadjuvante no tratamento.

Pesquisas em laboratório e com animais indicam que a melatonina, hormônio natural que regula o sono, pode ser uma aliada no tratamento do glioblastoma, um dos tipos mais agressivos de câncer cerebral. A substância parece aumentar a sensibilidade das células tumorais à quimioterapia, mas a eficácia em humanos ainda não foi comprovada e são necessários mais estudos clínicos.

O glioblastoma é o tumor cerebral maligno primário mais comum em adultos. O tratamento padrão inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Um dos desafios é a resistência de algumas células cancerígenas aos medicamentos, como a temozolomida, devido a mecanismos de reparo, como a proteína MGMT. A melatonina pode atuar dificultando a sobrevivência e multiplicação dessas células.

Resultados em laboratório e com animais

Um estudo publicado em 2025 mostrou que a combinação de melatonina e temozolomida foi mais eficaz do que as substâncias isoladas em culturas de células de glioblastoma. Observou-se a redução de mecanismos de sobrevivência e inflamação, além da ativação de processos de morte celular. Experimentos com camundongos também sugeriram redução do crescimento tumoral, embora os tumores tenham sido implantados sob a pele, o que limita a aplicabilidade direta em humanos.

Outra pesquisa, de 2018, indicou que a melatonina aumentou a sensibilidade de células de glioblastoma com características de células-tronco à temozolomida, mas os efeitos variaram conforme o modelo experimental. Além disso, investiga-se o potencial da melatonina em reduzir efeitos adversos da quimioterapia no cérebro saudável, como alterações na formação de neurônios e comportamentos depressivos em camundongos.

Eficácia em humanos ainda não comprovada

Apesar dos resultados promissores em laboratório, faltam evidências clínicas robustas para recomendar a melatonina como tratamento complementar contra o glioblastoma. Uma limitação importante são as doses usadas em alguns estudos, que foram centenas de milhares de vezes superiores às produzidas naturalmente pelo corpo, levantando dúvidas sobre a segurança e a capacidade de atingir o tumor no cérebro humano.

Um pequeno estudo clínico de 1996, com 30 pacientes, sugeriu maior sobrevida em um ano para aqueles que receberam melatonina com radioterapia. Contudo, essa pesquisa foi anterior à introdução da temozolomida como tratamento padrão, não permitindo conclusões sobre a combinação atual. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de novos ensaios clínicos para determinar doses seguras, avaliar a penetração da substância no tumor e verificar benefícios para sobrevida e qualidade de vida.

É crucial que a melatonina não seja usada por conta própria para tratar o câncer ou para substituir os tratamentos oncológicos convencionais. O uso durante a quimioterapia deve ser sempre discutido com a equipe médica responsável.

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