Mecanobiologia: Forças Físicas Influenciam Infecção Viral em Células

Destaques
- •Estudo explora como forças físicas em células, como rigidez e tensão, afetam a infecção viral.
- •Pesquisadores usam polímero flexível (PDMS) e edição genética CRISPR para simular condições corporais em laboratório.
- •Novas terapias e biomarcadores podem surgir para prevenir e tratar infecções com base na mecanobiologia.
A mecanobiologia, o estudo de como as forças físicas influenciam a biologia, tem se mostrado crucial para entender a infecção viral. Pesquisadores da área, como doutorandos em Engenharia Biomédica e Química, investigam como a física em escala celular, desde o fluxo sanguíneo nas veias até a distensão dos pulmões, pode afetar a capacidade dos vírus de infectar e causar doenças. A forma como os vírus interagem com essas forças físicas é um fator determinante em sua patogenicidade.
Como os vírus exploram a maquinaria celular
Ao entrar no corpo, os vírus dependem da maquinaria mecânica das células para seu ciclo de vida. O processo de endocitose, por exemplo, envolve o movimento da membrana celular, impulsionado pelo citoesqueleto, para englobar a partícula viral. Uma vez dentro, o vírus utiliza a maquinaria celular para se replicar e, posteriormente, infectar outras células. Cada etapa desse processo é intrinsecamente física, desde a tensão da membrana celular até a rigidez do ambiente celular, que pode influenciar a suscetibilidade da célula a invasores.
A rigidez do ambiente celular é um fator que pode alterar o comportamento celular e sua resposta a infecções. Em indivíduos com condições pré-existentes, como fibrose pulmonar, onde o tecido pulmonar se torna rígido, uma infecção viral pode agravar significativamente o quadro clínico. Essa predisposição mecânica dos tecidos à infecção é uma das razões pelas quais se recomenda evitar contato com pessoas doentes, especialmente idosos e imunocomprometidos.
Levando as forças corporais para o laboratório
Para investigar a mecanobiologia de tecidos e como as forças físicas do dia a dia podem agravar doenças, laboratórios cultivam células em ambientes que simulam as condições do corpo. O método padrão de cultivo em placas de Petri de plástico, que é significativamente mais rígido do que os tecidos vivos, não reflete com precisão as condições fisiológicas. Para contornar isso, células pulmonares são cultivadas em camadas finas de polímero flexível à base de silicone, o chamado PDMS (polidimetilsiloxano), ajustado para mimetizar a maciez do tecido pulmonar real.
Essas camadas são colocadas em câmaras que se esticam e relaxam ciclicamente, simulando os movimentos físicos da respiração. Essa plataforma permite monitorar como a mecânica celular muda durante a infecção, acompanhando proteínas como YAP e TAZ, que atuam como sensores de força. Quando essas forças estão presentes, os sensores se deslocam para o núcleo e ativam genes ligados ao crescimento e reparo. A manipulação genética com CRISPR permite observar essa ativação em tempo real, correlacionando forças mecânicas e infecção.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na PLOS One em 2025, intitulado "A comprehensive protocol for PDMS fabrication for use in cell culture", aborda a fabricação de substratos de polidimetilsiloxano (PDMS) para uso em cultura de células. O artigo destaca a sensibilidade das células às propriedades mecânicas de sua matriz, especialmente mudanças de rigidez, um fenômeno conhecido como mecanotransdução celular. O estudo explica que substratos com rigidez que imitam o ambiente tecidual nativo são cruciais para obter resultados mais precisos. No entanto, a fabricação de PDMS requer controle preciso para garantir propriedades mecânicas reprodutíveis e a hidrofobicidade inerente do material exige modificações de superfície para melhorar a adesão celular. A pesquisa também menciona o risco de contaminação durante a esterilização e a autofluorescência do substrato como desafios adicionais.
A mecânica é importante durante surtos
A compreensão da mecanobiologia da infecção viral é de grande interesse, dada a prevalência de infecções respiratórias. A mecanobiologia pode ser tão importante quanto os aspectos bioquímicos ou imunológicos do ciclo de infecção. As diferenças visíveis entre um pulmão rígido e um pulmão saudável mostram como os vírus podem se adaptar a diferentes ambientes. À medida que os cientistas mapeiam esses sinais mecânicos, novas possibilidades para prevenir e tratar infecções estão surgindo, como terapias que reduzem a tensão física nos tecidos ou biomarcadores que indicam suscetibilidade a certas vias de infecção.
O corpo humano é uma complexa interação entre mecânica e química, e o mesmo se aplica às infecções que ele enfrenta. A pesquisa contínua nessa área promete avanços significativos no combate a doenças virais.



