Leonardo Aquino detalha plano financeiro e de gestão para o Inter

Destaques
- •Candidato à presidência do Inter, Leonardo Aquino, apresentou propostas para reestruturar as finanças do clube, que acumula R$ 1 bilhão em dívidas.
- •Aquino defende a captação de recursos com fundos de investimento e a criação de produtos financeiros para torcedores, além de focar em contratações de jovens com potencial de revenda.
- •As eleições para o Conselho Deliberativo estão marcadas para 9 de novembro, com um possível segundo turno para os sócios em 12 de dezembro.
O candidato à presidência do Internacional, Leonardo Aquino, foi sabatinado pelo Grupo RBS nesta quinta-feira, em uma entrevista de uma hora e meia que abordou temas cruciais para o futuro do clube. Entre os assuntos discutidos, estiveram o futebol masculino e feminino, categorias de base, finanças, gestão, governança e a possibilidade de adesão ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A situação financeira do clube foi um dos pontos centrais da sabatina. Aquino reconheceu que o Inter possui uma dívida de R$ 1 bilhão, com uma parcela significativa a curto prazo, o que ele considera preocupante. Para reverter esse quadro, o candidato propõe uma gestão que ataque o problema em várias frentes. Uma das principais ideias é buscar recursos com fundos de investimento, que, segundo ele, exigiriam regras de governança mais rígidas e ofereceriam juros atrativos para alongar prazos e aliviar o caixa. Ele também mencionou a criação de um produto financeiro em parceria com uma instituição, como um título de capitalização, voltado para investidores e torcedores, cujo valor liberaria crédito para o clube quitar passivos sem comprometer o orçamento do futebol.
Plano de Finanças e Contratações
Leonardo Aquino explicou que a política de contratações será focada em atletas com potencial de revenda, seguindo modelos como os de Brighton e Ajax. Ele descartou investimentos altos em jogadores mais velhos, que não trariam retorno financeiro. Para gerenciar o mercado, pretende contratar um diretor de inteligência esportiva experiente em tirar clubes de situações falimentares. Este profissional atuaria ao lado de um diretor técnico e um diretor de futebol, focando em janelas de transferência e vendas estratégicas. A fiscalização da ANRESF (Autoridade Nacional de Regras do Futebol) impedirá que o clube gaste mais do que arrecada com vendas.
Sobre a possibilidade de um fundo de R$ 200 milhões, Aquino se mostrou favorável à captação de recursos com garantias, como no modelo de debêntures, mas criticou um projeto anterior que envolvia a alienação fiduciária do Beira-Rio. Ele ressaltou que dar o estádio como garantia só seria cogitável se a dívida fosse completamente zerada, e ainda assim com ressalvas. A destinação da verba também é um ponto de atenção, citando como exemplo o aporte da Liga Forte, que, segundo ele, foi usado em contratações caras em vez de abater passivos, levando a um colapso financeiro posterior.
Gestão, Governança e Futebol de Base
A prioridade de Aquino é que o Internacional volte a ter capacidade para grandes investimentos no futuro, mas reconhece que, no momento, isso é inviável. A estratégia é adquirir atletas que gerem lucro em futuras vendas, mesclando-os com jogadores mais experientes para evitar equipes inexperientes. Jogadores veteranos, acima dos 30 anos, viriam por oportunidades de ocasião, como empréstimos ou fim de contrato, evitando gastos elevados com atletas que não se valorizam financeiramente.
Em relação à gestão, Aquino defende que os profissionais contratados conheçam e se adequem ao plano de gestão, e que os dirigentes políticos atuem como o "olho do clube", cobrando metas do executivo. A estrutura proposta conta com diretores específicos em cada categoria e setor para garantir o alinhamento diário.
No futebol masculino e de base, Aquino acredita que o Inter pode ser mais atrativo para jovens de 17 a 20 anos do que clubes como Flamengo e Palmeiras, pois oferece perspectiva real de aproveitamento no time principal. Ele propõe dar rodagem a esses atletas no time de cima, combinando juventude com peças experientes para manter a competitividade.
Para reestruturar a base, a proposta é priorizar as instalações do Parque Gigante e o CT de Guaíba, aproximando as categorias jovens do time profissional. As categorias serão divididas em três nuvens: Iniciação (sub-8 ao sub-13), Formação (sub-13 ao sub-16) e Transição. O objetivo é que a base não sirva apenas para revelar "extraclasses", mas para rechear o elenco profissional de forma competitiva, evitando contratações custosas.
Próximos Passos
O primeiro turno da eleição para o Conselho Deliberativo do Internacional está marcado para o dia 9 de novembro. Caso seja necessária uma segunda votação, a eleição no pátio, com participação dos sócios, ocorrerá em 12 de dezembro.



