Kherima: A múmia que cruzou 2 mil anos, mas não resistiu ao descaso

Destaques
- •A múmia egípcia Kherima, com um processo de mumificação único, foi uma das grandes perdas do incêndio do Museu Nacional.
- •Sua história remonta a Tebas, passando por colecionadores e chegando ao Brasil com D. Pedro I.
- •Experiências parapsicológicas e um toque de mistério marcaram sua presença no museu.
O incêndio no Museu Nacional em 2018 não só destruiu um patrimônio inestimável, mas também levou consigo Kherima, uma múmia egípcia de 2 mil anos com um processo de mumificação surpreendentemente singular.
Ao contrário da maioria das múmias, Kherima teve seus membros e dedos enfaixados individualmente, e seu corpo foi realçado com materiais para simular formas humanas, lembrando uma boneca luxuosa. Essa técnica rara, conhecida em apenas oito outros exemplares mundiais, sugere uma ligação com a elite tebana.
Sua jornada é longa: passou pelas mãos do explorador Giovanni Battista Belzoni e, após um leilão no Rio de Janeiro em 1826, foi adquirida por Dom Pedro I, integrando o acervo do Museu Nacional.
Curiosamente, Kherima esteve no centro de experiências parapsicológicas que lhe renderam o apelido e até causaram danos a seus dedos. A múmia, que sobreviveu a milênios, sucumbiu ao descaso e ao subfinanciamento crônico das universidades federais.
O incêndio também levou outras 6 múmias humanas e diversos artefatos egípcios, um golpe duro para o patrimônio cultural brasileiro. 💔




