Juros do Cartão de Crédito no Brasil: Um Enigma Estrutural?

Destaques
- •Presidente do BC aponta juros estruturalmente altos no Brasil.
- •Taxa de 14,75% ao mês no rotativo do cartão de crédito é comparada a um "avião que cai 60% das vezes".
- •40 milhões de brasileiros usam cartão de crédito com 60% de inadimplência.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, jogou luz sobre um dos grandes mistérios da economia brasileira: por que a taxa básica de juros é tão alta aqui, destoando de outros países?
A resposta, segundo ele, não é um mero tropeço conjuntural, mas sim um problema de ordem estrutural. Galípolo destacou que, mesmo com a economia crescendo e o desemprego em mínimas históricas, o Brasil insiste em juros elevados, uma "anomalia" que a geração atual tem o desafio de normalizar.
A comparação mais chocante veio ao falar do cartão de crédito: uma taxa de 14,75% ao mês (sim, ao mês!) para o rotativo, com 60% de inadimplência entre 40 milhões de usuários, foi comparada a um "produto que tem 60% de inadimplência, que depois vai cair para 37 milhões de pessoas que estarão em outra taxa, também elevada a 7% ao mês, o que é consideravelmente alto, criando um problema que me parece estar relacionado com um arranjo".
A conclusão é que o brasileiro precisa de "doses cavalares do remédio" monetário por mais tempo para obter o mesmo efeito que outros países alcançam com mais leveza, um reflexo de como o crédito, especialmente o rotativo do cartão, se tornou um "arrranjo" de alto custo e alto risco, longe de ser apenas uma reserva para emergências.




