Implante suíço usa eletricidade para controlar glicose em ratos diabéticos

Destaques
- •Dispositivo implantável transforma glicose em gluconato, eliminado pela urina.
- •Testes em ratos mostraram controle da glicemia e perda de peso sem hipoglicemia.
- •Pesquisadores buscam aprovação para testes em humanos como alternativa a medicamentos.
Pesquisadores na Suíça desenvolveram um dispositivo implantável que utiliza eletricidade para controlar os níveis de glicose no sangue em ratos diabéticos. O objetivo é oferecer uma alternativa ao uso de medicamentos como a insulina para o manejo da diabesidade, condição que afeta mais de 2,5 bilhões de pessoas globalmente e gera custos anuais de saúde de quase US$ 3 trilhões.
O implante, composto por grafeno, ouro e platina, funciona como um sistema eletroquímico. Ele gera uma corrente elétrica de baixa voltagem (0,75 volts) e baixa corrente (10 miliamperes) que oxida seletivamente a glicose presente no sangue, convertendo-a em gluconato. Essa substância é subsequentemente eliminada do corpo pela urina, sem causar hipoglicemia ou efeitos fisiológicos adversos.
Como funciona o dispositivo ECHO
O dispositivo, batizado de ECHO (Electrocatalytic Closed-loop Health Optimization), é alimentado sem fio e contém nanoclusters de platina embutidos em feltro de grafite. Sua ativação elétrica é ajustável e permite a oxidação da glicose. Em testes realizados em ratos com diabetes tipo 2, o sistema restaurou a homeostase da glicose em cerca de uma hora após a ativação.
Além de controlar os níveis de açúcar, o tratamento com o ECHO promoveu uma mudança no metabolismo dos animais, incentivando a utilização de lipídios em vez de glicose. Isso resultou em redução de peso corporal e dos níveis de triglicerídeos, ao mesmo tempo que aumentou os ácidos graxos livres circulantes e os corpos cetônicos.
Segurança e controle autônomo
Os pesquisadores enfatizam que o sistema opera com voltagem muito baixa e que os experimentos não apresentaram evidências de danos aos tecidos, seja por efeitos elétricos ou térmicos. Para garantir que os níveis de glicose não caiam excessivamente, o dispositivo ECHO foi acoplado a um sistema de monitoramento contínuo de glicose (CGM).
Essa integração permite um controle em circuito fechado. Quando o medidor de glicose detecta que os níveis voltaram ao normal, o dispositivo ECHO se desliga automaticamente. O sistema pode ser controlado por smartphone, permitindo o manejo autônomo da diabesidade experimental sem o uso de medicamentos.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na revista Science em 22 de outubro de 2026, intitulado "Wireless electrocatalytic closed-loop system for drug-free management of diabesity", detalha o desenvolvimento do dispositivo ECHO. A pesquisa, liderada por Martin Fussenegger da ETH Zurich in Basel, na Suíça, demonstrou a eficácia do implante em ratos diabéticos.
O estudo aponta que o sistema ECHO restaurou a homeostase da glicose em cerca de uma hora, alterou o metabolismo para a utilização de lipídios, reduziu o peso corporal e os triglicerídeos, e aumentou os ácidos graxos livres e corpos cetônicos, sem causar hipoglicemia ou efeitos adversos durante seis semanas de tratamento.
Próximos passos
A equipe de pesquisa agora planeja desenvolver o implante para testes em humanos. Eles acreditam que o dispositivo representa uma promissora alternativa para a regulação da glicose, potencialmente eliminando a necessidade de tratamentos hormonais e medicamentosos para pacientes com diabetes e obesidade.



