IA para julgar ginástica: presidente da World Gymnastics discute uso em LA 2028

Destaques
- •Presidente da World Gymnastics negocia uso de IA para auxiliar juízes em competições de ginástica a partir de 2028.
- •Sistema da Fujitsu, já usado em campeonatos mundiais, utiliza câmeras para reconstruir movimentos em 3D e calcular notas.
- •Debate sobre a substituição de juízes humanos por IA e os desafios de precisão e sensibilidade artística na modalidade.
O presidente da World Gymnastics, Morinari Watanabe, revelou que a entidade está em negociações avançadas para implementar um sistema de Inteligência Artificial (IA) nas Olimpíadas de Los Angeles 2028. O objetivo é auxiliar na detecção de erros em movimentos de ginastas, buscando maior justiça e precisão nas avaliações, e, futuramente, reduzir a dependência de julgamentos humanos.
A proposta visa acabar com questionamentos sobre notas controversas, que frequentemente surgem em competições de ginástica. Watanabe explicou que a ferramenta, desenvolvida pela Fujitsu, começou a ser usada experimentalmente no Campeonato Mundial de 2019 e foi expandida para todos os 10 aparelhos na edição de 2023. O sistema utiliza câmeras para reconstruir as séries em 3D, permitindo análises detalhadas de ângulos e elementos, com resultados disponíveis em segundos.
O Sistema de Suporte ao Julgamento
O mecanismo, chamado de Sistema de Suporte ao Julgamento, emprega quatro câmeras na maioria dos aparelhos e oito para exercícios de solo. Ele cria uma representação tridimensional dos movimentos, que pode ser pausada e examinada de diferentes ângulos, algo impossível para os juízes humanos durante a competição. A análise calcula ângulos e reconhece elementos, detalhando como as notas de dificuldade são atribuídas. A informação fica disponível entre 10 e 15 segundos após o término da apresentação.
Watanabe destacou a importância de tornar o esporte mais compreensível para o público, que nem sempre entende a origem das notas. Ele citou casos históricos, como o de Yang Tae-young em Atenas 2004 e a disputa por medalha de bronze de Jordan Chiles em Paris 2024, onde decisões de arbitragem geraram longos debates.
Desafios e Debates sobre a IA
Apesar do potencial, a ideia de substituir completamente os juízes humanos gera debates. O professor Willem Standaert, coautor de um estudo sobre IA na ginástica, considera que tal medida seria um "colapso da pirâmide", pois a IA, com sua precisão excessiva (medindo ângulos em graus, por exemplo), pode não capturar nuances artísticas essenciais, como a interpretação musical e a coreografia em provas de solo.
Ele também levanta a questão de que sistemas treinados com biotipos específicos podem ter desempenho diferente ao avaliar ginastas com outras características físicas. A Fujitsu, no entanto, assegura que os cálculos não são enviesados e que os dados coletados de competições internacionais incluem atletas com diversas características.
A árbitra austríaca Johanna Gratt, que atuou com o sistema em Roterdã, reconhece seu valor como auxílio em casos difíceis, mas ressalta a necessidade de intervenção humana para correções. O processo de refinamento continuará, com o mecanismo mantido como um assistente.
O Futuro da Arbitragem na Ginástica
O debate sobre a precisão da IA foi reforçado por um estudo publicado em novembro, que comparou o sistema da Fujitsu com equipamentos laboratoriais. Embora tenha havido consistência, os resultados não foram idênticos, com o sistema da empresa medindo ângulos máximos de abertura com uma média de 1,1 grau a mais.
Apesar dos desafios, Watanabe demonstra otimismo quanto à implementação da IA, visando um futuro onde a tecnologia possa garantir maior justiça e transparência no esporte. A expectativa é que, com o desenvolvimento contínuo, a IA se torne uma ferramenta indispensável para a arbitragem, complementando a expertise humana.



