IA: O Projeto Panamá que Devora Livros Antigos para Aprender

Destaques
- •Empresas de IA estão comprando livros antigos em massa para digitalizar e treinar modelos de linguagem.
- •O "Projeto Panamá" visa digitalizar "destrutivamente" obras, levantando preocupações sobre perda de acervo.
- •Especialistas debatem o valor da digitalização versus a conservação de metadados e exemplares raros.
Um livreiro em Badalona, Espanha, notou um padrão estranho de compras em massa de livros antigos vindos do Canadá. Pedidos repetidos e custos de envio exorbitantes levantaram suspeitas de fraude, mas a verdade era bem mais complexa e ligada à inteligência artificial.
A investigação revelou o "Projeto Panamá", um plano para digitalizar "destrutivamente" todos os livros do mundo para treinar Large Language Models (LLMs). O processo envolve o corte da lombada dos livros para digitalização rápida em escâneres industriais, resultando na destruição do exemplar original.
A prática levanta debates sobre a perda de acervo e a importância de metadados (como encadernação, anotações e ex-libris) que não são transferidos na digitalização. A preocupação é que, ao focar apenas no texto, se perca a riqueza histórica e cultural dos exemplares, especialmente obras underground sem ISBN. A solução proposta é que os próprios livreiros digitalizem e licenciem seus acervos, preservando tanto o conteúdo quanto os detalhes físicos dos livros.


