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Holanda: Nova técnica reconstrói clitóris e devolve orgasmo a 90% das pacientes

21 de outubro de 2026
Holanda: Nova técnica reconstrói clitóris e devolve orgasmo a 90% das pacientes

Destaques

  • •Cirurgiões holandeses desenvolveram técnica para reconstruir o clitóris após câncer de vulva, preservando a função sexual.
  • •O procedimento devolveu o orgasmo clitoriano a 90% das 23 primeiras pacientes, com recuperação da sensibilidade em até um ano.
  • •A técnica, que adapta um método de reconstrução após mutilação genital, está em fase de pesquisa e pode ser expandida para outros países.

Cirurgiões do centro médico universitário holandês Radboudumc desenvolveram uma nova técnica para reconstruir o clitóris em mulheres submetidas a cirurgia de câncer de vulva. A inovação visa preservar a sensibilidade e a capacidade de atingir o orgasmo, algo que era negligenciado em procedimentos anteriores. A técnica já devolveu a função sexual a cerca de 90% das 23 primeiras pacientes tratadas, com a recuperação do orgasmo clitoriano ocorrendo, em geral, entre três e seis meses após a operação.

Preservando a função sexual após o câncer

O clitóris, órgão dedicado exclusivamente ao prazer sexual feminino, concentra milhares de terminações nervosas. Em casos de câncer de vulva onde o tumor atinge essa região, a cirurgia tradicionalmente envolvia a remoção de parte do órgão e o fechamento da ferida, deixando o tecido remanescente sob uma camada de pele. Segundo a oncologista ginecológica Mieke ten Eikelder, uma das autoras da nova técnica, pouca atenção era dada à qualidade de vida da paciente ou à sua capacidade de ter orgasmos.

A nova abordagem, criada por Mieke ten Eikelder e o cirurgião plástico Tim Nijhuis, não reconstrói o órgão do zero. Após a remoção do tumor, os médicos reposicionam os nervos que ficaram intactos para formar uma nova ponta do clitóris. Essa nova estrutura é recoberta com um pequeno enxerto retirado da mucosa da boca.

Recuperação da sensibilidade e resultados iniciais

Apesar de o clitóris poder apresentar hipersensibilidade ou diminuição da sensibilidade inicialmente, a recuperação costuma ser ideal após um ano. Na maioria das mulheres, a sensibilidade retorna a um nível comparável ao que era antes da cirurgia. Os resultados iniciais, publicados na revista científica Gynecologic Oncology, indicam que 16 das 18 pacientes submetidas ao procedimento conseguiram ter orgasmo clitoriano após a operação, o que representa 88,9% do grupo. Uma atualização posterior com 23 mulheres confirmou a taxa de 90%.

A técnica adiciona aproximadamente 15 minutos à duração da cirurgia e é uma adaptação de um método já utilizado na reconstrução após mutilação genital feminina, preservando nervos e vasos sanguíneos. Duas das 18 pacientes apresentaram complicações relacionadas especificamente à reconstrução, uma proporção de 11,1%.

O que é o câncer de vulva e próximos passos

O câncer de vulva afeta os órgãos genitais externos da mulher. Na Holanda, cerca de 450 mulheres recebem o diagnóstico anualmente. Em aproximadamente um quarto desses casos, o tumor está no clitóris ou em volta dele, sendo este o grupo que pode se beneficiar da nova técnica. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é mais comum após a menopausa e pode estar associada à infecção pelo HPV.

Por enquanto, o método está restrito à Holanda, onde é aplicado dentro de um programa de pesquisa em oito hospitais. Os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda são iniciais e que, com financiamento da Sociedade Holandesa de Combate ao Câncer, as pacientes serão acompanhadas para confirmar os benefícios na função sexual e qualidade de vida, além de como incorporá-la com segurança à rotina clínica. A ideia é levar a técnica a outros países.

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