Guerra no Oriente Médio aperta o cinto do agro brasileiro

Destaques
- •Tensões no Estreito de Ormuz comprometem navegação e afetam mercado global de fertilizantes.
- •Brasil, que importa 85% de seus fertilizantes, vê o agronegócio em vulnerabilidade.
- •Logística complexa e destruição de infraestrutura indicam que preços altos de insumos devem persistir, impactando o consumidor final.
O alívio esperado com a suposta liberação do Estreito de Ormuz não durou um final de semana. Com as tensões geopolíticas elevadas após a apreensão de um cargueiro pelo Estados Unidos e a negativa do Irã em negociar, a navegação na região voltou a ficar comprometida.
O conflito no Oriente Médio já deixou marcas profundas no mercado internacional de fertilizantes. A região é responsável por cerca de 20% do fertilizante comercializado globalmente, e o Brasil, que importa 85% de todo o adubo que consome, está diretamente exposto a essa vulnerabilidade.
A conta dessa defasagem chegará, inevitavelmente, à inflação de alimentos do consumidor.
O especialista Marcello Brito explica que a retomada plena do fornecimento enfrenta obstáculos logísticos severos. A reconstrução de fábricas destruídas e a complexidade de reestabelecer rotas marítimas indicam que os preços altos de insumos, como a ureia, baseada no gás natural, devem persistir. Mesmo com a reabertura do estreito, o tempo de resposta do comércio exterior não opera na velocidade dos anúncios políticos, e a espera por regularização dos fluxos normais de abastecimento não é esperada no curto prazo.
A situação é agravada por políticas protecionistas de outros países, como a China, que já proibiu a exportação de alguns fertilizantes para garantir o fornecimento interno. O resultado é um gargalo de fornecimento e um aumento nos custos para o produtor rural brasileiro, que já vê seu poder de compra diminuir. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinalizou a intenção de reconstruir a indústria nacional de fertilizantes para diminuir a dependência externa.
A elevação de preços de uma safra do hemisfério norte, devido aos custos dos fertilizantes, afeta os preços no Brasil também. O insumo caro usado na plantação de hoje estará na safra de amanhã, elevando os preços dos alimentos nas prateleiras dos supermercados 📉.




