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Fórmula 1 anuncia GP da África em Ruanda; Hamilton pede atenção a problemas do continente

23 de outubro de 2026
Fórmula 1 anuncia GP da África em Ruanda; Hamilton pede atenção a problemas do continente

Destaques

  • •Fórmula 1 confirma acordo de dez anos para sediar um GP em Ruanda, marcando o retorno da categoria à África após 37 anos.
  • •Lewis Hamilton celebra a volta da F1 ao continente, mas alerta para a necessidade de abordar questões sociais e históricas, como o colonialismo e conflitos atuais.
  • •A prova deve estrear no início da próxima década, com a construção de um novo circuito em Bugesera, próximo à capital Kigali.

A Fórmula 1 confirmou um acordo de dez anos com Ruanda para sediar o Grande Prêmio da África, marcando o retorno da categoria ao continente após 37 anos de ausência. A previsão é que a prova estreie no início da próxima década, possivelmente em 2030 ou 2031, com a construção de um circuito permanente em Bugesera, a cerca de 40 quilômetros de Kigali, capital do país. O projeto do Rwanda International Circuit foi desenvolvido em colaboração com o ex-piloto Alex Wurz e o engenheiro Hermann Tilke.

Hamilton pede reflexão sobre a África

O piloto Lewis Hamilton, da Ferrari, comemorou a notícia do retorno da Fórmula 1 à África, afirmando que o continente "merece ter um Grande Prêmio". Em coletiva de imprensa, Hamilton ressaltou, no entanto, que a realização da corrida não deve servir para ignorar os problemas sociais e históricos que a África enfrenta.

"É claro que ir para lá não significa que você esteja negligenciando as coisas que estão acontecendo lá. Então, espero que muitas pessoas comecem a se informar um pouco mais sobre o que está acontecendo lá, sobre o que aconteceu lá ao longo de centenas de anos, e espero que isso dê início a uma conversa", disse o heptacampeão mundial.

Críticas e pedidos de atenção

Hamilton sugeriu que a história africana deveria ser incluída no currículo escolar do Reino Unido, apontando o colonialismo e a intervenção ocidental como causas de muitos dos problemas atuais do continente. Ele também fez um apelo pela "libertação" de países como Congo, Sudão, Síria e Palestina.

O piloto destacou a potência da África em diversos segmentos e a riqueza de recursos do continente, expressando o desejo de que os países africanos se unam. "Se você for lá e observar as pessoas, verá que muitos dos designs de marcas renomadas que existem hoje vêm da África, um continente com recursos riquíssimos", afirmou.

Contexto de Ruanda e conflitos regionais

Ruanda, país anfitrião do futuro GP, foi palco de um genocídio em 1994, que causou cerca de 800 mil mortes. Atualmente, o país é acusado por entidades de direitos humanos de violações, como repressão a opositores, cerceamento da liberdade de imprensa e prisões arbitrárias. Além disso, Ruanda é criticada por apoiar o grupo rebelde M23 em um conflito na República Democrática do Congo (RDC), que já resultou em milhares de mortos e feridos.

A ministra de Relações Exteriores da RDC, Therese Kayikwamba Wagner, enviou uma carta a clubes europeus patrocinados por Ruanda, acusando o país de ser "diretamente responsável por essa miséria" devido ao apoio aos rebeldes.

Histórico da F1 na África

A última vez que a Fórmula 1 correu na África foi em 1993, com o Grande Prêmio da África do Sul, realizado no circuito de Kyalami. A categoria avaliou outras possibilidades de retorno nos últimos anos, incluindo projetos na África do Sul e no Marrocos, antes de fechar o acordo com Ruanda.

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