Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Fome aumenta no emagrecimento por reação hormonal, dizem especialistas

28 de outubro de 2026

Destaques

  • •Organismo ativa mecanismos para recuperar energia, elevando apetite e reduzindo saciedade durante perda de peso.
  • •Hormônios grelina e leptina são cruciais: grelina estimula fome, leptina regula saciedade; seus níveis se alteram no emagrecimento.
  • •Estratégias como dieta rica em proteínas/fibras, sono adequado e acompanhamento profissional são recomendadas para gerenciar a fome.

O aumento da fome durante o processo de emagrecimento é uma reação fisiológica natural do organismo, e não um sinal de falta de disciplina. Especialistas explicam que, ao perder peso, o corpo ativa mecanismos para tentar recuperar as reservas de energia, o que pode intensificar o apetite, diminuir a sensação de saciedade e reduzir o gasto energético. Essa resposta do corpo torna o emagrecimento e, principalmente, a manutenção do peso mais desafiadores.

A endocrinologista Mariana Munhoz, do Delboni, destaca que reconhecer essa fome como uma resposta fisiológica é fundamental para orientar o tratamento. Em vez de depender apenas da força de vontade, as estratégias devem ser individualizadas, considerando as necessidades de cada pessoa e estabelecendo hábitos sustentáveis a longo prazo.

Hormônios grelina e leptina: os vilões da fome?

Dois hormônios desempenham um papel central nesse processo: a grelina e a leptina. A grelina, produzida principalmente pelo estômago, tem a função de estimular a fome. Já a leptina, originada do tecido gorduroso, é responsável por regular a saciedade.

Durante a perda de peso, os níveis de grelina tendem a aumentar, enquanto os de leptina diminuem. Como a produção de leptina está diretamente ligada à quantidade de gordura corporal, a redução dessa gordura leva a uma queda no nível do hormônio. Essas alterações hormonais favorecem o aumento do apetite e dificultam a manutenção do peso perdido.

Claudia Schimidt, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita, explica que o organismo interpreta a redução das reservas de gordura como uma potencial perda de energia que precisa ser compensada. A queda na leptina envia sinais ao cérebro de que as reservas energéticas diminuíram, contribuindo para o aumento da fome. Essas adaptações podem persistir mesmo após o alcance do peso desejado, exigindo acompanhamento contínuo.

Estratégias para controlar a fome e manter o peso

O objetivo principal não é eliminar completamente a fome, mas torná-la manejável sem comprometer a nutrição e a qualidade de vida. As estratégias devem ser adaptadas ao estado de saúde, rotina, nível de atividade física e necessidades nutricionais de cada indivíduo.

Algumas medidas recomendadas incluem:

  • Priorizar o consumo de proteínas e fibras, encontradas em ovos, peixes, carnes, feijões, frutas, verduras e cereais integrais, que promovem maior saciedade.
  • Evitar dietas excessivamente restritivas, que podem intensificar a fome e dificultar a manutenção dos resultados.
  • Garantir uma boa qualidade de sono, pois a privação de sono pode aumentar o apetite e o desejo por alimentos calóricos.
  • Praticar atividade física regularmente, o que ajuda a preservar a massa muscular e melhora a saúde metabólica.
  • Buscar acompanhamento profissional de médicos e nutricionistas para definir estratégias individualizadas e avaliar a necessidade de outras intervenções.

O acompanhamento profissional é essencial para adaptar o planejamento alimentar às respostas do organismo e às necessidades específicas de cada pessoa, garantindo um tratamento mais eficaz e sustentável.

Medicamentos e compulsão alimentar: quando procurar ajuda?

Medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 são utilizados no tratamento da obesidade, atuando na regulação do apetite e na sensação de saciedade. No entanto, a endocrinologista Claudia Schimidt ressalta que o objetivo não é eliminar a fome, mas ajudar o paciente a reconhecer a saciedade, fazer escolhas alimentares conscientes e lidar melhor com a vontade excessiva de comer, combatendo o chamado "food noise" – o pensamento constante em comida.

É importante diferenciar o aumento fisiológico da fome durante o emagrecimento da compulsão alimentar. O principal sinal de alerta para a compulsão é a perda recorrente de controle sobre a alimentação, acompanhada de culpa e sofrimento emocional. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação profissional médica, nutricional e psicológica para um tratamento adequado.

Matérias originais

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Fome aumenta no emagrecimento por reação hormonal, dizem especialistas | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias