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Flamengo readequa orçamento para R$ 40 milhões de déficit após insucessos

28 de outubro de 2026
Flamengo readequa orçamento para R$ 40 milhões de déficit após insucessos

Destaques

  • •Clube carioca aprovou readequação orçamentária que reverteu superávit previsto de R$ 180 milhões para um déficit de R$ 40 milhões.
  • •Ajuste financeiro foi motivado por despesas maiores com contratações e receitas menores que o esperado, incluindo a não concretização de 'naming rights' do Maracanã.
  • •Flamengo minimiza o déficit, afirmando que a dívida está controlada e a alavancagem (dívida/EBITDA) melhorou em relação a 2024.

O Flamengo aprovou nesta quarta-feira (29) uma readequação em seu orçamento para 2026, que reverteu uma projeção de superávit de R$ 180 milhões para um déficit de R$ 40 milhões. O ajuste financeiro, que representa um rombo de aproximadamente R$ 220 milhões, foi aprovado pelo Conselho de Administração por 41 votos a favor, seis contrários e duas abstenções, após pareceres favoráveis do Conselho Fiscal e da Comissão Permanente de Finanças.

A readequação orçamentária é um procedimento previsto no Estatuto do Flamengo e faz parte das práticas de boa governança e transparência adotadas pelo clube. Trata-se de uma revisão regular, onde o orçamento aprovado originalmente é confrontado com o que de fato aconteceu, e as projeções são ajustadas para refletir a realidade do exercício. A leitura mais importante da readequação está na composição da receita. Embora alguns números absolutos orçados para 2026 não tenham sido atingidos, a qualidade da receita melhorou em comparação com o ano anterior: uma parcela maior do que o clube arrecada vem de fontes recorrentes, que tendem a se repetir nos próximos anos, e uma parcela menor depende de eventos pontuais.

Motivos para o déficit financeiro

O diretor geral do Flamengo, Paulo Dutra, apontou a compra do jogador Paquetá, com um custo total de R$ 315 milhões, como um dos principais motivos para o resultado negativo. Apesar de ter sido parcelada, a aquisição impactou significativamente as finanças. Dutra também citou a não obtenção de incentivos fiscais esperados, o prejuízo com a venda cancelada do jogador Plata ao Dínamo de Moscou (estimado em R$ 60 milhões), e a expectativa frustrada de "naming rights" para o Maracanã (R$ 55 milhões).

Adicionalmente, houve gastos com a nova comissão técnica após a demissão de Filipe Luís e a chegada de Leonardo Jardim. O futebol foi o "carro chefe" para o endividamento, com a redução de R$ 94 milhões na estimativa de arrecadação com vendas de jogadores e um aumento de R$ 234 milhões em contratações acima do orçado. A diretoria optou por não negociar jogadores na última janela para buscar títulos, o que também contribuiu para a situação.

Impacto esportivo e próximos passos

A eliminação na semifinal da Libertadores foi um duro golpe, pois a final e o título renderiam mais R$ 130 milhões. A queda precoce na Copa do Brasil e os vice-campeonatos na Recopa Sul-Americana e Supercopa também afetaram as finanças. O título brasileiro, embora importante, tem um impacto financeiro menor para o primeiro colocado em comparação com outras competições.

Houve também um aumento de 7,3% nas despesas gerais e administrativas (R$ 15 milhões) e de 25,4% nos custos operacionais do Maracanã (R$ 17,8 milhões). Em contrapartida, a receita com sócios aumentou 7,6%, passando de R$ 39,2 milhões para R$ 42,1 milhões. A suspensão do patrocínio master não teve relação direta com a situação financeira atual, pois o Flamengo já havia antecipado o valor do primeiro ano do contrato.

Dívida controlada, segundo o clube

Em nota, o Flamengo minimizou o déficit, destacando que a dívida está controlada. O clube informou que a alavancagem (relação entre dívida e capacidade de gerar caixa, medida pelo EBITDA recorrente) está em 1,2x, abaixo dos 1,8x registrados em dezembro de 2024. O EBITDA recorrente considera apenas as receitas que se repetem todos os anos, excluindo eventos extraordinários como venda de atletas ou premiações.

Na prática, o clube argumenta que seria capaz de quitar toda a sua dívida em cerca de um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação, sem depender de receitas extras. O Flamengo, enquanto negócio, está girando, crescendo e mostrando evolução consistente, com uma base de receita mais sólida e previsível.

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