Filósofo Ichiro Kishimi defende aceitação do envelhecimento e autovalor
Destaques
- •Ichiro Kishimi, autor de "A coragem de envelhecer", questiona a lamentação sobre o envelhecimento e propõe foco no autodesenvolvimento.
- •O livro aborda a importância de reconhecer o próprio valor, assumir responsabilidades e evitar o egocentrismo.
- •A obra também discute a experiência de cuidar de pais idosos e a superação de adversidades como doenças.
Esqueça a ideia de que a juventude é o auge da vida. O filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi, autor de "A coragem de envelhecer", propõe uma reflexão profunda sobre a passagem do tempo, questionando por que lamentamos tanto o envelhecimento. Em suas sessões de terapia, ele costuma desafiar pacientes com a pergunta: "Você gostaria de voltar a ser como era aos 18 anos?". A resposta majoritária, de que não, sugere que a felicidade não está atrelada apenas à juventude.
Seguindo os preceitos de Alfred Adler, Kishimi defende que o foco deve ser no autodesenvolvimento e na superação de obstáculos, e não na comparação com os outros. Ele incentiva a abandonar a lógica da produtividade, especialmente no ambiente de trabalho, e a buscar um autovalor que independa da opinião alheia. Para se tornar um adulto de verdade, segundo o autor, é preciso reconhecer o próprio valor, tomar decisões com responsabilidade e evitar o egocentrismo.
A obra também mergulha em experiências pessoais do autor, como um infarto e a cirurgia de ponte de safena, que o levaram a reavaliar o valor da vida. Ele compartilha a angústia de não ter certeza sobre o amanhã e a descoberta de que o simples fato de estar vivo pode ser motivo de alegria para os outros. A experiência de cuidar do pai, especialmente em casos de demência, oferece lições sobre cuidado sem imposição e a importância de viver o presente.
Kishimi finaliza com a importância de reconhecer as próprias limitações e a coragem de admitir quando não se sabe algo. Ele alerta que a velhice, por si só, não garante sabedoria e que a postura de "saber tudo" pode afastar os mais jovens. A mensagem central é clara: aceitar o envelhecimento com serenidade e focar na evolução pessoal.


