Filme de Bolsonaro Ignora Leis: Ancine Confirma Irregularidades na Produção

Destaques
- •Produtora Go Up Entertainment Ltda. operou sem registro e descumpriu obrigações legais da Ancine.
- •Eduardo e Flávio Bolsonaro tinham envolvimento direto na produção e negociação de verba.
- •Funcionários relatam condições precárias e falta de pagamento, enquanto a Ancine não reconhece a produção.
O filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, foi rodado no Brasil pela produtora Go Up Entertainment Ltda. sem cumprir as exigências da Ancine. A empresa operou sem registro, sem contratos adequados e sem comprovação de vistos para o elenco estrangeiro, além de não pagar direitos trabalhistas a parte da equipe brasileira.
O deputado Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo, com poder sobre o dinheiro do projeto. Seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, negociou repasses de até R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa. Funcionários relataram condições degradantes e até agressão física durante as filmagens.
A Ancine confirmou que a Go Up Entertainment jamais protocolou qualquer documentação, o que, pela instrução normativa nº 79, de 2008, é obrigatório para obras audiovisuais estrangeiras filmadas no Brasil. A agência reguladora não possui informações sobre a produção, financiamento ou detalhes técnicos do filme, e a produtora não apresentou pedido de registro para exibição comercial.
Diante da falta de protocolo e análise de documentos, a Ancine classificou a produção como "informação inexistente" em seus registros. O sindicato Sindcine protocolou denúncia formal sobre contratações irregulares e pagamentos indevidos, e ao menos 14 figurantes articulam ações judiciais contra a produção por condições precárias e falta de informação sobre o conteúdo político da obra. A produtora Go Up não respondeu aos questionamentos do Intercept.




