FIA quer punir autores de ameaças de morte a Pierre Gasly

Destaques
- •Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, defende punições rigorosas contra assédio online no automobilismo.
- •Pierre Gasly, da Alpine, recebeu 13 mil ameaças de morte após incidente no GP da Espanha.
- •A entidade estuda o uso de inteligência artificial para identificar agressores virtuais.
O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, defendeu nesta sexta-feira (30) punições mais severas para os responsáveis por assédio online na Fórmula 1. A declaração surge após o piloto Pierre Gasly, da Alpine, ter recebido cerca de 13 mil ameaças de morte após um incidente no GP da Espanha, em setembro. Ben Sulayem afirmou que a FIA pretende recorrer à inteligência artificial para identificar autores de ataques virtuais e que a entidade busca o envolvimento de pilotos, equipes e da imprensa no combate ao assédio.
O incidente com Pierre Gasly
O episódio que desencadeou as ameaças ocorreu durante o GP da Espanha, em Madri. Nas voltas finais da corrida, Gasly retardou o avanço de seu companheiro de equipe, o argentino Franco Colapinto. Colapinto reclamou pelo rádio, temendo perder posições para Oscar Piastri, da McLaren. Colapinto terminou a prova em sétimo lugar, enquanto Gasly cruzou a linha de chegada em 12º. A situação provocou uma onda de ataques nas redes sociais contra o piloto francês, que relatou ter sido alvo de mensagens ofensivas, assim como sua namorada e familiares. Colapinto chegou a pedir publicamente que seus apoiadores interrompessem as agressões, e o chefe da Alpine, Flavio Briatore, ameaçou restringir o acesso do argentino à imprensa caso os ataques continuassem.
Medidas propostas pela FIA
Diante do caso, Ben Sulayem reiterou a necessidade de medidas para identificar e punir os responsáveis. Segundo o presidente da FIA, a entidade pretende usar inteligência artificial para auxiliar na identificação de autores de ataques virtuais, inclusive aqueles que se escondem atrás de perfis anônimos. Ele também defendeu a possibilidade de expulsar de eventos da categoria espectadores e profissionais da imprensa envolvidos em práticas abusivas. "Se lutarmos contra isso sozinhos, vamos fracassar. Não podemos fazer isso sozinhos", afirmou o dirigente.
Campanha e responsabilidade coletiva
A FIA já mantém a campanha United Against Online Abuse ("Unidos Contra o Assédio Online", na tradução para o português), voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência virtual. Para Ben Sulayem, no entanto, a iniciativa precisa contar com o apoio de toda a comunidade da Fórmula 1. O dirigente ressaltou que os próprios pilotos têm responsabilidade sobre o comportamento de seus fãs e devem se posicionar contra ameaças e ataques direcionados a outros competidores. O presidente também lembrou que o problema não se limita a um piloto ou a uma torcida específica, citando Lewis Hamilton como outra vítima de ataques ao longo da história da categoria. A mobilização conjunta é vista como fundamental para impedir que o assédio afaste profissionais e comprometa o ambiente do automobilismo.
Treinos livres para o GP do México
Enquanto a discussão sobre assédio online ganha força, os pilotos da Fórmula 1 já estão na pista para os treinos livres do GP do México. No primeiro treino livre, Charles Leclerc, da Ferrari, liderou a sessão com o tempo de 1m18s128, superando Kimi Antonelli e Frederik Vesti. A sessão contou com a participação de diversos jovens pilotos, que tiveram a oportunidade de guiar carros de equipes da F1, como Freddie Slater (substituindo George Russell na Mercedes) e Ayumu Iwasa (Red Bull). O segundo treino livre está previsto para esta sexta-feira, às 19h.



